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Créditos: Divulgação
A partir de março de 2026, o Discord passou a exigir verificação de idade por identificação facial e documento para liberar áreas específicas da plataforma, além de criar um Conselho de Adolescentes para opinar sobre políticas futuras
O Discord, plataforma de comunicação criada em 2015 para gamers, está no centro de uma investigação federal no Brasil após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS), segundo as denúncias, induzida à automutilação em um grupo virtual.
O Discord foi fundado em maio de 2015 pela empresa Hammer & Chisel, de Jason Citron e Stan Vishnevskiy, que originalmente desenvolvia o jogo Fates Forever e precisava de uma ferramenta de chat de voz estável para jogadores. O nome, escolhido de forma irônica pelos fundadores, remete à palavra inglesa para “discórdia”, mesmo com o propósito da plataforma sendo unir pessoas por meio da comunicação.
Embora não existam números precisos, sabe-se que o Discord soma entre mais de 700 milhões de contas registradas globalmente, com 200 a 260 milhões de usuários ativos por mês. É como se mais do que toda a população brasileira estivesse no Discord mensalmente. O crescimento mais acelerado vem de mercados fora do eixo anglófono — Sudeste Asiático, América Latina e região MENA somaram 61 milhões de novos usuários só entre janeiro e outubro de 2025.
Em 22 de julho último, uma adolescente de 13 anos foi encontrada morta em Naviraí (MS) após, segundo as denúncias, ser pressionada por um grupo virtual a cumprir desafios de automutilação, incluindo a ordem de matar quatro gatos. A Operação Lívia, deflagrada em 4 de agosto pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, apura se o grupo usava Discord e Telegram para atrair vítimas, majoritariamente meninas, e disseminar conteúdo neonazista e misógino, com mandados cumpridos em cinco estados.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu processo de fiscalização contra o Discord por possíveis falhas na proteção de menores contra conteúdos ligados a suicídio e automutilação. A ANPD também determinou a suspensão da função “Go Live” do Discord no Brasil, como medida preventiva diante de evidências de que a ferramenta vinha sendo usada recorrentemente em episódios de violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio envolvendo menores de 18 anos. Segundo a ANPD, a arquitetura técnica do Discord impede o acesso da própria empresa ao conteúdo das transmissões durante sua exibição, o que inviabiliza mecanismos de análise em tempo real para detectar violações.
A Advocacia-Geral da União (AGU) também cobrou da empresa um plano de adequação às exigências do ECA Digital, com prazo definido para apresentação de medidas corretivas.
Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil, 93% da população de 9 a 17 anos já usa internet, o equivalente a 24,5 milhões de pessoas, com 95% acessando a rede diariamente. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o uso diário chega a 98%, e 29% dos jovens de 11 a 17 anos já enfrentaram situações ofensivas online.
Sim. O recurso chamado Central de Família permite que responsáveis vinculem a conta do filho via QR Code e recebam relatórios semanais de atividade. O passo a passo básico é:terra.com+1
Outros ajustes recomendados incluem ativar “Mantenha-me Seguro”, que faz varredura automática de imagens recebidas contra conteúdo explícito, e desativar mensagens diretas de desconhecidos em servidores.
O que o Discord mudou após os escândalos?
A partir de março de 2026, o Discord passou a exigir verificação de idade por identificação facial e documento para liberar áreas específicas da plataforma, além de criar um Conselho de Adolescentes para opinar sobre políticas futuras. A mudança ocorre em meio à vigência do ECA Digital no Brasil, que obriga plataformas a confirmar idade, responsabiliza redes por conteúdo ilegal e permite supervisão parental.
Diante do avanço de casos como o de Naviraí, especialistas em segurança digital infantil recomendam uma abordagem estruturada, que combine diálogo, ferramentas técnicas e acompanhamento constante — sem transformar a relação com os filhos em vigilância policialesca. Abaixo, um roteiro prático organizado por etapas.
Em caso de suspeita ou incidente
Nenhuma dessas medidas substitui a combinação entre supervisão ativa dos pais, ferramentas de segurança das plataformas e fiscalização do Estado via ECA Digital — os três pilares precisam funcionar juntos para reduzir a exposição de crianças e adolescentes a riscos que, como mostrou o caso de Naviraí, podem ter consequências fatais.
Jornalista especializado em comportamento de consumo. Apaixonado por tecnologia e desvendando o universo da Inteligência Artificial.
13 de agosto de 2026LifesTec
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