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DropsTec 14/04/2026 | Sua coletânea diária de notícias sobre tecnologia
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As seleções que conseguirem integrar ciência de dados, fisiologia e leitura de jogo em um sistema único terão dado um passo competitivo na Copa
Nos últimos meses a Inteligência Artificial entrou definitivamente em campo. Mas antes de ficar batendo bola com perguntas cotidianas ela já vinha frequentando salas de comissões técnicas. Com interfaces cada vez mais simples e poderoras a IA assumiu posição de destaque no futebol mundial e nessa Copa do Mundo, definitivamente, será elemento que pode ajudar os times e técnocos.
A Copa do Mundo de 2026 será a mais longa e densa em carga física e cognitiva da história: serão 104 jogos no total, com 48 seleções divididas em 12 grupos de quatro equipes. Quem chegar à final terá disputado oito partidas em cerca de 40 dias, um jogo a mais que o padrão histórico de sete, o que altera a lógica de gestão de esforço ao longo do torneio. Após três rodadas de grupos, uma fase extra de matamata antecede oitavas, quartas, semifinal e final, empilhando confrontos eliminatórios em sequência. Em termos de desempenho, isso significa jogar sob alta intensidade, com curtas janelas de recuperação, em ambientes térmicos diferentes e sob pressão máxima de decisão.
O perfil físico-técnico exigido do jogador é mais extremo: volume de alta intensidade (sprints, acelerações, desacelerações) cresce, enquanto a tolerância do calendário a quedas de performance diminui. Durante os 90 minutos de jogo atletas de elite percorrem 10 km a 13 km, com centenas de ações acima de 19 km/h e dezenas de sprints acima de 25 km/h, o que gera sobrecarga musculoesquelética cumulativa. A gestão dessa carga deixou de ser feita pela intuição e passou a depender de vestíveis (coletes com GPS, acelerômetros, giroscópios, monitores cardíacos e camisas inteligentes) integrados a sistemas de inteligência artificial.
A grande mudança dos últimos quatro anos está menos no hardware e mais na camada algorítmica. Plataformas de IA agora cruzam dados posicionais (mapas de calor, distâncias por faixa de velocidade, índices de explosão) com marcadores fisiológicos e histórico clínico de cada atleta. A partir daí, modelos preditivos estimam risco de lesão, tempo ideal de recuperação e “readiness score” diário, orientando se o jogador deve ir a campo, treinar em carga reduzida ou ser preservado. Em um Mundial com até oito jogos, essa capacidade de gerir o esforço pode significar ter ou não o mesmo atleta em alto nível em uma semifinal.
Clubes de elite funcionam como laboratório dessa lógica. Manchester City, Liverpool, Real Madrid, Bayern, Barcelona e equipes da Premier League e Bundesliga já operam departamentos de ciência de dados integrados ao monitoramento, com métricas de carga externa (quilometragem, acelerações, impactos) e interna (resposta fisiológica) alimentando algoritmos proprietários. No Brasil os grandes clubes também entraram na fase de integração dos atletas a plataformas de IA. Esses bancos de dados acompanham o jogador ao longo da temporada, e as seleções chegam à Copa com séries temporais robustas para alimentar seus próprios modelos de IA.
Um eixo emergente é o cruzamento entre performance e ambiente. Ferramentas de análise já correlacionam temperatura, umidade e altitude das cidades-sede com a resposta de cada atleta: combina-se o registro de partidas prévias em contextos similares com o perfil fisiológico para estimar queda de intensidade a partir de determinado minuto em condições de calor ou ar rarefeito. Isso permite antecipar que um meio-campista específico perde 10% de volume de alta intensidade após os 70 minutos acima de certa temperatura, enquanto outro mantém a curva, o que pode orientar tanto a escalação quanto o planejamento de substituições.
A IA também amplia o leque de cruzamentos possíveis: idade, composição corporal, cronologia de lesões, tipo de gramado, densidade de jogos no clube, fuso horário e até perfil de sono podem ser combinados para individualizar treinos durante o Mundial. Um zagueiro mais velho, com histórico de lesão de posterior, pode ter limite rígido de minutos em sequência curta, enquanto um ponta jovem de alta potência recebe protocolos específicos de recuperação ativa e crioterapia entre partidas. Em paralelo, modelos de visão computacional e aprendizado de máquina aplicados às imagens oficiais da FIFA permitem gerar dados posicionais mesmo quando o GPS não é utilizado, garantindo continuidade de análise ao longo da competição.
No Copa do Mundo que se aproxima o diferencial pode estar na interseção entre esse plano tático e o plano físico: qual modelo de jogo cada elenco é capaz de sustentar por oito partidas sem quebrar? A “Copa da IA” será menos sobre robôs tomando decisões e mais sobre comissões técnicas capazes de traduzir previsões probabilísticas em escolhas concretas de carga, minutagem e ajuste tático. As seleções que conseguirem integrar ciência de dados, fisiologia e leitura de jogo em um sistema único terão dado um passo competitivo numa Copa em que o limite do corpo será testado como nunca e será medido, em detalhe, por algoritmos.
Claro que isso não será ciência exata. Sempre haverá o lance de genialidade e o gol inacreditavelmente perdido. Uma demonstração é que o futebol continuará sendo, como diz o ditado popular, uma caixinha de surpresas. E nunca um algoritmo de decisão. A IA ajuda. Mas quem chuta em gol não segue prompts no momento decisivo.
Jornalista especializado em comportamento de consumo. Apaixonado por tecnologia e desvendando o universo da Inteligência Artificial.
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