Futebol, atendimento e monitoramento: por que os robôs ganharam espaço na Eletrolar Show 2026
Novo Robot Park Experience transforma a robótica em uma das principais atrações da feira e mostra como máquinas inteligentes começam a assumir funções cada vez mais próximas do cotidiano
Entre as atrações mais curiosas da feira está a Arena Robot Park, que recebe partidas diárias de futebol disputadas por robôs humanoides autônomos
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A Eletrolar Show All Connected 2026 foi realizada esta semana no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O evento exibiu humanoides e robôs para atendimento, monitoramento e logística.
A mostra evidencia a expansão da inteligência artificial de fábricas para áreas como esporte e serviços.
Organizadores afirmam que a tendência responde à crescente demanda por soluções físicas de IA em diversos mercados.
O avanço da inteligência artificial costuma ser medido pelo desempenho de algoritmos, plataformas digitais e ferramentas capazes de produzir textos, imagens ou análises em poucos segundos. Mas uma das transformações mais visíveis da tecnologia acontece longe das telas. Aos poucos, a inteligência artificial começa a ganhar corpo, rodas, sensores e capacidade de interação física com o ambiente ao seu redor.
Essa mudança pode ser observada na Eletrolar Show All Connected 2026, realizada nesta semana no Distrito Anhembi, em São Paulo. Entre os destaques da feira está o Robot Park Experience, espaço criado para apresentar aplicações práticas de robótica, automação e inteligência artificial. A iniciativa reúne desde humanoides capazes de interagir com pessoas até equipamentos desenvolvidos para tarefas de monitoramento, logística e atendimento.
Mais do que uma atração tecnológica, o espaço ajuda a ilustrar uma tendência que vem ganhando força em diferentes mercados. A combinação entre inteligência artificial e robótica começa a migrar dos centros de pesquisa para ambientes comerciais, industriais e domésticos. O resultado é uma nova geração de máquinas projetadas para executar atividades que exigem mobilidade, percepção do ambiente e capacidade de tomada de decisão.
Ao dedicar uma área específica ao tema, a Eletrolar reforça uma percepção cada vez mais presente no setor. Depois de transformar softwares, aplicativos e dispositivos conectados, a inteligência artificial começa a impulsionar uma nova fase de inovação baseada em máquinas capazes de interagir diretamente com o mundo físico.
Quando a inteligência artificial ganha um corpo
Durante muitos anos, a robótica esteve associada principalmente à indústria. Braços mecânicos em linhas de produção e sistemas automatizados em fábricas representavam a principal aplicação comercial da tecnologia. Nos últimos anos, porém, a evolução dos sensores, da computação embarcada e da inteligência artificial abriu espaço para equipamentos muito mais versáteis. Essa transformação aparece de forma clara no Robot Park Experience. O espaço reúne máquinas desenvolvidas para ambientes corporativos, comerciais e residenciais, demonstrando como a robótica começa a se aproximar de situações presentes no cotidiano das pessoas. A proposta é mostrar aplicações que vão além da automação industrial tradicional.
Entre os destaques está o humanoide Jupiter, projetado para se locomover de forma autônoma, interagir com pessoas e executar tarefas utilizando recursos avançados de inteligência artificial. Também chama atenção o assistente doméstico M1, desenvolvido para auxiliar rotinas familiares, acompanhar idosos, apoiar processos de aprendizagem e monitorar animais de estimação. Outro exemplo é o robô móvel W1, criado para atividades de monitoramento, transporte de objetos e interação remota. Embora os equipamentos ainda representem um mercado em desenvolvimento, eles indicam como a inteligência artificial pode ser aplicada a tarefas que exigem movimentação, observação do ambiente e resposta em tempo real.
O futebol virou laboratório para a robótica
Entre as atrações mais curiosas da feira está a Arena Robot Park, que recebe partidas diárias de futebol disputadas por robôs humanoides autônomos. A competição acontece em parceria com o AI Brasil e reúne equipes desenvolvidas por universidades brasileiras, transformando uma atividade familiar ao público em uma demonstração prática de engenharia e inteligência artificial. À primeira vista, a proposta pode parecer apenas uma exibição tecnológica. No entanto, o futebol representa um dos desafios mais complexos para sistemas robóticos. Para atuar em campo, os equipamentos precisam localizar a bola, identificar adversários, manter o equilíbrio, calcular deslocamentos e tomar decisões em poucos segundos.
As partidas contam com equipes formadas por robôs desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Federal de Goiás. Cada time possui três jogadores que atuam de forma totalmente autônoma, sem interferência humana durante as jogadas. A combinação entre visão computacional, sensores e algoritmos de tomada de decisão permite que as máquinas interpretem o ambiente em tempo real.
Além do aspecto tecnológico, a competição também possui um objetivo estratégico. Os organizadores pretendem que a iniciativa seja o primeiro passo para a criação de uma liga brasileira de futebol de robôs humanoides. A proposta busca aproximar universidades, empresas e centros de pesquisa, estimulando o desenvolvimento da robótica nacional em um momento de crescente interesse por aplicações ligadas à inteligência artificial.
Da demonstração tecnológica aos negócios
Embora os robôs humanoides sejam os protagonistas mais visíveis do espaço, o Robot Park Experience também apresenta aplicações voltadas diretamente ao mercado. Empresas especializadas exibem soluções desenvolvidas para recepção, comunicação, logística e limpeza profissional, áreas que vêm sendo impactadas pelo avanço da automação.
O interesse por esse tipo de tecnologia está relacionado à busca por ganhos de produtividade e eficiência operacional. Em setores como varejo, hotelaria, serviços e logística, equipamentos inteligentes começam a assumir atividades repetitivas, permitindo que equipes humanas sejam direcionadas para funções mais estratégicas. O movimento acompanha uma tendência global de digitalização e automação de processos.