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Sua vida daria uma boa novela vertical de IA?

Entre mocinhas perfeitas, vilãs manipuladoras e homens que resolvem tudo, novelas produzidas com inteligência artificial atualizam velhos padrões de romance e levantam questões sobre autoestima, rivalidade feminina e o papel das mulheres na sociedade

Por: Clarissa Palácio

Se as novelas utilizadas como referência continuam apresentando mulheres como rivais e homens como salvadores, a inovação pode acabar reproduzindo velhas fórmulas em uma escala ainda maior

Créditos: Freepik

Se as novelas utilizadas como referência continuam apresentando mulheres como rivais e homens como salvadores, a inovação pode acabar reproduzindo velhas fórmulas em uma escala ainda maior

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  • Clarissa Palácio afirma ser telespectadora assídua de novelas verticais produzidas por inteligência artificial.
  • As histórias seguem um roteiro repetitivo: protagonista feminina bela e insossa disputa o amor de um homem poderoso contra uma vilã manipuladora.
  • A autora aponta falhas técnicas – dublagem ruim e bugs – como limitações das plataformas de IA usadas na produção.
  • Mesmo com gosto questionável, a narrativa desperta reflexões sobre estigmas presentes na sociedade.
Por Clarissa Palácio

 

Preciso confessar: eu sou uma telespectadora assídua de novelas verticais produzidas com inteligência artificial. Cada um tem seu guilty pleasure e certamente esse é o meu: poucas coisas conseguem, de fato, desligar minha cabeça uma uma história tosca, mal dublada e claramente “bugada” pelas limitações das plataformas de tecnologia. E eu entendo quem ache esse meu gosto absolutamente questionável, mas até ele conseguiu me colocar para pensar sobre alguns estigmas presentes na nossa sociedade.

O roteiro das histórias é quase sempre o mesmo: uma menina belíssima, mas sempre insossa, tem interesse em um homem poderoso. Ela, claro, é preterida em favor de outra menina – essa segunda, invariavelmente maléfica e sem nenhum tipo de escrúpulo. Nossa protagonista esconde um grande poder (literal, como o lobo mais forte da alcateia ou o poder de fazer os feitiços mais fortes, ou figurativamente, como ser secretamente a herdeira da família real) e é maltratada das mais criativas formas pela vilã, que consegue conquistar o interesse romântico de maneira extremamente manipulativa.

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A mocinha, então, decide ir embora e, no meio do caminho, cruza com o verdadeiro herói, um homem impecável que a ama verdadeiramente e a salva daquela realidade terrível. O primeiro mocinho descobre as falcatruas da vilã, se arrepende e pede pelo amor de Deus para a protagonista voltar – que, agora, não tem mais nenhum interesse, visto que conquistou o mais poderoso ______________ (adicione o que preferir: alfa, milionário misterioso, CEO, chefe da máfia e por aí vai).

Eu sei que é tosco. Essas séries (posso chamar assim?) são tão previsíveis que quase não há necessidade de assistir mais de uma – todas são praticamente iguais. Mas foi vendo uma dessas obras de arte contemporânea artificial que uma gama ampla de assuntos começou a se emaranhar na minha mente e levou diretamente para o mesmo lugar: o patriarcado sempre encontra as meninas. Especialmente no entretenimento.

A mocinha perfeita que nunca é suficiente

Se você esteve na internet durante a década passada, provavelmente se lembra do auge das fanfics: histórias escritas por fãs que utilizam personagens, universos fictícios ou celebridades como ponto de partida. Plataformas como o Wattpad ajudaram a popularizar esse tipo de narrativa, especialmente entre leitores jovens, e abriram espaço para histórias de romance que circulavam entre comunidades inteiras. A fórmula podia variar, mas um elemento aparecia com frequência: uma protagonista que, apesar de reunir características consideradas desejáveis, ainda precisava provar que merecia ser escolhida. Ela podia ser bonita, magra, inteligente, engraçada e até relativamente independente, mas sempre havia alguma coisa que a colocava em desvantagem diante de outra mulher. O homem desejado, por sua vez, costumava funcionar como a principal confirmação de seu valor.

É importante fazer uma distinção: as fanfics não constituem um gênero único, e muitas delas justamente subvertem os padrões dos romances tradicionais. Uma pesquisa publicada em 2025 na revista acadêmica Transformative Works and Cultures, intitulada Young women and fan fiction: Motives, reading practices, and reader types, investigou os hábitos de leitura de 178 universitárias de 18 a 25 anos em Moscou. O estudo identificou motivações variadas para o consumo de fanfics, incluindo entretenimento, escapismo emocional, participação em comunidades de fãs e desenvolvimento da imaginação e da escrita. O levantamento não representa todas as leitoras, nem permite afirmar que esse conteúdo prejudica a autoestima de quem o consome. Ainda assim, ajuda a compreender por que essas narrativas podem ocupar um lugar significativo na vida de mulheres jovens: elas oferecem não apenas histórias de amor, mas também espaços de identificação, pertencimento e experimentação de desejos.

O problema começa quando a fantasia de ser amada deixa de ser apenas uma possibilidade narrativa e passa a funcionar como uma espécie de avaliação pessoal. E não me entenda mal, antes das novelas verticais existirem eu fui também uma leitora assídua de fanfics – até ousei escrever uma ou outra ao longo da minha pré-adolescência. Mas, em muitas histórias românticas, a protagonista não precisa ser apenas bonita, interessante ou competente, mas ser tudo isso de uma maneira que não ameace ninguém, especialmente o homem que deseja conquistar. Ela pode ter uma carreira, talentos extraordinários e uma personalidade marcante, desde que essas características não sejam mais importantes do que sua capacidade de despertar o amor masculino. A rival, por outro lado, costuma concentrar os atributos que a narrativa condena: ambição, vaidade, iniciativa e disposição para disputar espaço. O resultado é uma divisão bastante conveniente entre a mulher que merece ser amada porque é boa e aquela que merece ser rejeitada porque quer demais.

Para quem está formando a própria identidade, esse tipo de representação merece atenção, ainda que não seja possível atribuir efeitos automáticos a uma história específica. Segundo a UNICEF, em seu material sobre imagem corporal na adolescência, a maneira como jovens percebem a própria aparência é influenciada pelo ambiente social e pelas imagens que encontram nas redes sociais. Comparações frequentes com corpos idealizados podem contribuir para a insatisfação com a aparência e afetar a autoestima. Essa orientação não comprova que novelas verticais ou fanfics provoquem os mesmos efeitos, mas oferece um contexto importante para pensar o consumo de entretenimento durante a adolescência. Quando uma personagem parece ter tudo e, mesmo assim, precisa se transformar para finalmente ser escolhida, fica a pergunta sobre o que uma espectadora pode aprender a esperar de si mesma e dos relacionamentos que deseja construir.

Mulheres poderosas, desde que alguém as salve

Nas novelas verticais de IA, a protagonista frequentemente descobre que tem um poder extraordinário, uma herança milionária, uma inteligência acima da média ou uma posição social que ninguém imaginava. A revelação costuma ser acompanhada de uma mudança radical na maneira como os outros a tratam. Quem a humilhou passa a implorar por perdão, enquanto o homem que a rejeitou percebe que perdeu alguém valioso. Mas há um detalhe: a transformação da vida da protagonista quase sempre se completa quando um homem ainda mais poderoso aparece para protegê-la, amá-la e garantir que ninguém volte a fazer mal a ela. A fantasia oferece uma espécie de reparação pelas humilhações sofridas, mas raramente imagina que a mulher possa construir essa reparação sem a intervenção de um novo herói.

Esse padrão não significa que histórias de amor sejam incompatíveis com a autonomia feminina, nem que uma mulher precise rejeitar o apoio de um parceiro para ser independente. O problema está na maneira como a narrativa distribui a capacidade de agir. A protagonista pode ser inteligente, talentosa e poderosa, mas sua trajetória só parece alcançar o desfecho ideal quando um homem reconhece essas qualidades e passa a protegê-la. Em vez de substituir uma relação desigual por uma relação entre iguais, muitas dessas histórias substituem o homem errado pelo homem certo. A estrutura de poder permanece praticamente intacta, embora o novo relacionamento seja apresentado como uma conquista. No fim, a mulher não precisa necessariamente deixar de ser subordinada, desde que encontre alguém que a trate bem enquanto ocupa a posição de maior poder.

Essa lógica também ajuda a explicar por que tantas personagens são valorizadas por sua utilidade. A mocinha pode ser uma excelente esposa, uma filha obediente, uma mãe dedicada ou a única pessoa capaz de compreender as necessidades emocionais de um homem difícil. Suas qualidades são apresentadas como virtudes, mas frequentemente estão ligadas ao trabalho de cuidar, perdoar, esperar e sustentar emocionalmente outras pessoas. A vilã, em contrapartida, costuma ser punida por desejar dinheiro, prestígio ou influência de maneira explícita, mesmo quando os personagens masculinos perseguem exatamente os mesmos objetivos. Não é necessário que a protagonista seja literalmente submissa para que a história reproduza essa expectativa. Basta que sua bondade seja confundida com disponibilidade permanente e que sua felicidade dependa de continuar sendo necessária para alguém.

É curioso perceber que a mulher aparentemente perfeita ainda pode perder seu lugar para outra personagem, desde que essa segunda consiga ocupar melhor a posição de vítima. Nas novelas que descrevi, a rival manipula situações, inventa acusações e transforma a protagonista em culpada, enquanto constrói para si uma imagem de fragilidade e inocência. O homem poderoso, incapaz de perceber a manipulação, escolhe acreditar naquela que parece precisar mais de sua proteção. Quando a verdade aparece, a protagonista recebe pedidos de desculpas e declarações de amor, como se a reparação dependesse apenas do reconhecimento tardio de seu valor. A trama transforma a disputa entre mulheres em motor do conflito e reserva ao homem a posição de juiz que decide quem merece confiança, afeto e proteção.

Quem é a vítima perfeita?

A expressão “vítima perfeita” ajuda a compreender uma dimensão mais ampla desse mecanismo, embora seu significado no campo jurídico seja mais específico do que o das narrativas românticas. No artigo A “vítima perfeita” para o direito penal brasileiro, publicado na Revista de Estudos Jurídicos da Unesp, as pesquisadoras Carolina Costa Ferreira e Kelly Brito de Sousa analisam como expectativas sociais podem influenciar o reconhecimento de mulheres como vítimas de violência. O estudo discute a ideia de que determinadas pessoas recebem mais prontamente credibilidade e reconhecimento quando suas circunstâncias correspondem a uma imagem socialmente aceita de vítima. Em contrapartida, mulheres que não se encaixam nesse modelo podem ter suas experiências questionadas, suas escolhas julgadas e a violência sofrida relativizada. A análise das autoras se concentra no sistema de justiça e na violência contra mulheres, não em novelas ou produtos de entretenimento, mas o conceito permite uma comparação cuidadosa com os papéis que a ficção distribui às suas personagens.

Na prática, a vítima considerada ideal costuma ser aquela que parece inocente, vulnerável e incapaz de ter contribuído para a situação em que se encontra. Quando esse imaginário é transportado para histórias de romance, a personagem que sofre em silêncio pode parecer mais digna de proteção do que aquela que confronta os outros, toma decisões ou demonstra raiva. A primeira desperta o instinto de salvamento do herói, enquanto a segunda corre o risco de ser apresentada como arrogante, ingrata ou difícil de amar. A diferença é importante porque uma mulher não deixa de ser vítima por ser independente, ter uma personalidade forte ou tomar decisões com as quais outras pessoas não concordam. Da mesma forma, nenhuma mulher precisa demonstrar fragilidade, passividade ou perfeição moral para merecer respeito e segurança.

É nesse ponto que a disputa entre a mocinha e a vilã deixa de ser apenas um recurso dramático. A protagonista precisa reunir todos os atributos que a tornam merecedora de compaixão, enquanto a rival concentra os comportamentos que justificam sua punição. Uma é recompensada porque sofre sem perder a bondade; a outra é castigada porque deseja controlar o próprio destino, ainda que seus métodos sejam condenáveis – nesse tipo de novela, não é incomum que a mulher “megera” seja estapeada pelo homem dominador e todo mundo ache atitudes assim completamente normais. Essa divisão não é equivalente à forma como vítimas de violência são avaliadas no sistema de justiça, mas compartilha com o imaginário da vítima ideal uma preocupação com quem merece reconhecimento e quem pode ser descartado. Quando a ficção apresenta a proteção masculina como prêmio para a mulher mais inocente, corre o risco de reforçar a ideia de que a segurança feminina depende de uma espécie de aprovação moral. A vida real não deveria funcionar como um roteiro em que é preciso conquistar o direito de não sofrer violência.

A rivalidade feminina nunca sai de moda

Não é de hoje que a cultura pop encontra maneiras de transformar mulheres em adversárias umas das outras. Existe uma questão que nunca deixou de passar pela cultura e pela maneira como aprendemos a interpretar o mundo: a ideia de que as mulheres precisam competir entre si por beleza, reconhecimento, sucesso e, evidentemente, homens. Essa lógica aparece em programas de televisão, reality shows, romances, videoclipes e conteúdos digitais, muitas vezes disfarçada de entretenimento inofensivo. A rivalidade se torna tão familiar que a ausência de uma mulher antagonizando outra pode parecer, por si só, uma escolha narrativa inesperada.

Em Garota sobre garota: como a cultura pop colocou uma geração de mulheres contra si mesma, lançado no Brasil em 2026 pela editora Todavia, a jornalista e crítica cultural Sophie Gilbert investiga como produtos culturais das décadas de 1990 e 2000 ajudaram a moldar a percepção das mulheres sobre si mesmas e umas sobre as outras. Eu indiquei ele no meu último texto, você deve se lembrar, mas agora volto com ele para esmiuçá-lo com mais detalhes. A obra examina diferentes manifestações da cultura pop e as contradições entre discursos de empoderamento, objetificação feminina e expectativas sociais sobre o comportamento das mulheres. Como mencionei recentemente, a questão não está apenas nas imagens que a mídia produz, mas também nos critérios que aprendemos a usar para julgar quem aparece nelas. A cultura pode celebrar uma mulher por sua beleza e, ao mesmo tempo, transformá-la em motivo de chacota quando ela envelhece, ganha peso, demonstra vulnerabilidade ou deixa de corresponder ao ideal do momento. A competição feminina se alimenta justamente dessa instabilidade, porque a aprovação parece sempre depender de uma comparação com alguém.

Nas novelas verticais, a fórmula é ainda mais evidente porque a rivalidade precisa ser compreendida rapidamente. Em poucos episódios, a protagonista é apresentada como a mulher injustiçada, enquanto a antagonista recebe todos os atributos necessários para despertar a indignação do público. Uma mente manipuladora, um plano absurdo e algumas cenas de humilhação são suficientes para transformar duas personagens em representantes de categorias morais opostas. O homem, que poderia ser responsabilizado por suas próprias escolhas, frequentemente aparece como alguém enganado por uma das mulheres e merecedor de uma segunda chance quando descobre a verdade. Assim, a narrativa desloca parte da atenção dos comportamentos masculinos para a disputa feminina e transforma o relacionamento em uma competição cujo prêmio é a aprovação de um homem.

Isso não significa que mulheres não possam ser rivais, que personagens femininas precisem ser amigas em todas as histórias ou que conflitos entre elas sejam necessariamente misóginos. A questão é observar quais comportamentos a narrativa recompensa e quais ela pune, especialmente quando personagens masculinos têm mais liberdade para agir sem que sua moralidade seja colocada em dúvida. Se a ambição de um homem é sinal de liderança, por que a mesma característica transforma uma mulher em vilã? Se ele pode cometer erros, aprender e seguir em frente, por que ela precisa demonstrar arrependimento, inocência e submissão para voltar a ser considerada digna de amor? Ao insistir nesses contrastes, o entretenimento pode transformar desigualdades em características aparentemente naturais dos relacionamentos. E talvez seja justamente essa naturalização, mais do que a existência de uma vilã particularmente cruel, que mereça nossa atenção.

O que a inteligência artificial está reproduzindo?

Existe uma ironia particular em encontrar essas histórias justamente em conteúdos produzidos com inteligência artificial. A tecnologia permite criar personagens, cenários, vozes e sequências narrativas com uma velocidade que seria difícil alcançar por meios tradicionais, mas a novidade técnica não significa necessariamente inovação na maneira de contar histórias. Uma pesquisa de mercado publicada em julho de 2026 pela empresa de tecnologia HOLYWATER TECH e pela consultoria Owl & Co, no relatório The State of Microdrama 2026, analisou dados de plataformas de séries verticais e uma pesquisa realizada em maio com 2.737 usuários do aplicativo My Drama. O levantamento também acompanhou o desempenho de produções feitas com apoio de IA em outra plataforma da empresa, a My Muse. Segundo o relatório, 89% dos usuários consultados na plataforma de séries geradas por IA disseram querer mais histórias desse tipo, e a taxa de conversão em assinaturas pagas foi semelhante à observada na plataforma de produções com atores. Os resultados indicam interesse comercial pelo formato, mas não permitem concluir que o público aprove todos os seus clichês ou que as narrativas tenham um efeito específico sobre a visão de mundo dos espectadores. Não sei se pelo meu histórico já ficou claro, mas eu obviamente sou contrária a todos os estigmas patriarcais presentes no mundo real ou de IA.

O relatório também precisa ser lido considerando sua origem: a pesquisa foi conduzida por uma empresa que atua justamente nesse mercado, com dados de seus próprios produtos. Ainda assim, ela ajuda a dimensionar o interesse econômico por um formato que combina episódios curtos, conflitos imediatos e histórias pensadas para o consumo pelo celular. Quando a produção de novas narrativas se torna mais rápida, uma pergunta se impõe: o que acontece quando a tecnologia amplia a quantidade de histórias disponíveis sem necessariamente alterar as estruturas que elas repetem? A IA pode facilitar a criação de universos ficcionais, testar personagens e multiplicar versões de um mesmo enredo, mas não transforma automaticamente os pressupostos culturais que orientam essas escolhas. Se as histórias utilizadas como referência continuam apresentando mulheres como rivais e homens como salvadores, a inovação pode acabar reproduzindo velhas fórmulas em uma escala ainda maior.

Talvez seja injusto exigir que toda novela vertical seja uma obra-prima da dramaturgia ou uma aula de sociologia. Parte da graça dessas produções está justamente no exagero, nas reviravoltas improváveis e na liberdade de acompanhar uma história absurda sem precisar prestar muita atenção. O entretenimento também pode ser escapismo, e não existe obrigação de transformar cada momento de lazer em uma análise crítica da sociedade. O ponto não é proibir a fantasia, condenar quem assiste ou presumir que o consumo de uma narrativa determine as crenças de alguém. É apenas reconhecer que as histórias que circulam com frequência também fazem parte do repertório cultural a partir do qual interpretamos comportamentos, relações e expectativas.

Clarissa Palácio

Jornalista de lifestyle. Moda, beleza, gastronomia, esportes e tecnologia sob o olhar das tendências que movem a vida cotidiana.

16 de outubro de 2026

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