Tecnologia & Inovação
BBB de 2009 a 2011: como o celular virou o controle remoto da casa
Entre uma final decidida no detalhe e novos apps de foto e mensagem, a sala ganhou segunda tela e a rotina passou a caber no bolso
Créditos: Divulgação/Reprodução TV Globo
Mara Viana e Mariana Felício durante a final do BBB, em 2006
Entre 2005 e 2008, o Big Brother Brasil deixou de ser apenas um programa que “para a casa” em um horário fixo e passou a conviver com uma transformação maior: o vídeo começou a circular fora da TV, o comentário ganhou velocidade e o celular virou, pouco a pouco, a peça que organiza a rotina doméstica. O ToqueTec usa esse recorte para mostrar como o lar entrou na era do conteúdo on demand (sob demanda), da segunda tela e, logo depois, dos aplicativos para tudo.
Na prática, o que mudou não foi só a tecnologia. Mudou a experiência de estar em casa. O entretenimento deixou de depender apenas da grade da TV. Aprender receita, fazer exercício leve, pesquisar conserto simples e acompanhar repercussão de um programa passaram a caber no mesmo ambiente: a sala, o quarto e a cozinha, cada um com sua tela.
Em 2005, Jean Wyllys venceu o BBB 5 e foi o primeiro campeão a receber o prêmio de R$ 1 milhão. A edição também projetou nomes que depois seguiriam trajetórias próprias na mídia, como Grazi Massafera. No conteúdo do programa, temas de identidade e diversidade ganharam mais visibilidade, e a sala de estar virou espaço de conversa que ia além do jogo. Isso importa porque, naquela fase, a casa ainda era o lugar em que debates públicos aconteciam de modo mais concentrado: televisão ligada, família por perto e conversa no ritmo do programa.
Do lado de fora, 2005 marca o nascimento do YouTube. A plataforma começou a colocar uma ideia nova no cotidiano: vídeo não precisava mais “passar na TV” para existir. Qualquer pessoa poderia publicar e assistir quando quisesse. No começo, isso soou experimental: qualidade inferior, carregamento lento, conexões instáveis. Mesmo assim, plantou a base do hábito que hoje é rotina em casa: ver tutorial curto, assistir clipe, rever trecho marcante e aprender algo rápido sem esperar horário.
Para o bem-estar no lar, o efeito foi direto. O vídeo virou ferramenta prática. De receitas a alongamentos, de dicas de organização a manutenção simples, a casa ganhou um novo tipo de companhia: conteúdo em vídeo que entra no cotidiano sem cerimônia.
Em 2006, Mara Viana venceu o BBB 6, em uma edição marcada por forte identificação do público com sua história pessoal. O reality reforçou o papel de espelho de desafios familiares, enquanto o País começava a experimentar um novo jeito de assistir: com a conversa acontecendo junto.
No mesmo ano, surge o Twitter, rede de microtextos que estimula comentários rápidos e em tempo real. Isso acelerou um comportamento que já existia no boca a boca: comentar o programa enquanto ele acontecia. Na sala, o BBB seguia na TV. Na mão, entrava o impulso de escrever, reagir, concordar, contestar e acompanhar o que outras pessoas pensam, mesmo longe. Nascia, com mais força, a lógica da segunda tela: olhos na TV, atenção dividida com outra tela.
Esse hábito mudou a sensação de descanso em casa. Para alguns, virou interação e diversão. Para outros, trouxe excesso de estímulo. O ponto prático é entender o “custo” de duas telas ao mesmo tempo: aumenta o envolvimento, mas pode reduzir o relaxamento. A partir daqui, o lar deixa de ser só lugar de assistir e vira lugar de participar.
Em 2007, Diego Alemão venceu o BBB 7, e a TV aberta ainda comandava a sala com força. A experiência seguia coletiva: gente reunida, voto por telefone fixo e SMS, e comentários que atravessavam escola e trabalho. Só que a internet já passava a ser uma companhia mais frequente. Mesmo quando a banda larga ainda era limitada para muita gente, a ideia de “entrar para ver o que estão dizendo” começava a disputar atenção com o controle remoto.
Esse é também o período em que redes móveis ganham tração e preparam o caminho para o celular conectado de verdade. A internet no bolso ainda parecia lenta e cara para muitos perfis, mas o conceito já se firmava: não depender do computador fixo para acessar informação. Isso abriu caminho para um tipo de casa que hoje parece natural: a casa em que o morador pesquisa, comenta, resolve e controla coisas do sofá.
No cotidiano, a mudança foi de ritmo. O BBB ainda era um ritual noturno, mas a conversa já escapava para fora do horário do programa. A casa começava a se dividir entre a tela grande da sala e a tela pequena que acompanhava o morador.
Em 2008, Rafinha venceu o BBB 8 em uma final apertada, com forte participação do público. A sensação de fenômeno já estava consolidada. Só que o movimento mais transformador acontecia fora da casa: o nascimento das lojas de aplicativos. A App Store estreou com cerca de 500 aplicativos e, em paralelo, o Android Market começou a distribuir apps para os primeiros aparelhos com Android.
O efeito foi imediato na vida doméstica: o celular deixou de ser só telefone com câmera e virou uma caixa de ferramentas. No início, eram apps simples, jogos leves e utilitários. Logo depois, a lógica se expandiu para rotinas do lar: lista de compras, agenda, controle de contas, lembretes de tarefas e, mais tarde, controle de dispositivos conectados. A sala ganhou um novo objeto ao lado do controle remoto: o celular como organizador da casa.
Nesse ponto, o entretenimento também muda. O vídeo que nasceu “fora da TV” em 2005 passa a encontrar um caminho mais natural para circular. O comentário em tempo real de 2006 ganha escala. E a casa entra em uma fase em que descansar e se informar competem com notificações, feeds (linhas de atualização) e uma sensação de conexão permanente.
Entre 2005 e 2008, o BBB ajuda a enxergar a virada: a vida em vídeo se espalha, a conversa acelera e o celular começa a assumir o papel de “central” do lar. A partir daí, a casa passa a organizar lazer, informação e rotina com múltiplas telas, e a pergunta deixa de ser “o que vai passar na TV?” para virar “o que eu quero assistir e fazer agora, dentro de casa?”.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
7 de janeiro de 2026Tecnologia & Inovação
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