A orientação mais importante talvez seja esta: quando um filho relata algo grave, a reação inicial precisa ser acolhedora
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Estudo da UNICEF revela que 19% dos adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos (3 milhões) foram vítimas de exploração ou abuso sexual online em 12 meses.
Em 52% dos casos, o primeiro contato com o agressor ocorreu em redes sociais, aplicativos de mensagem ou jogos digitais.
A pesquisa indica que 82% das crianças de 6 a 8 anos já acessam a internet e 36% possuem celular próprio.
O relatório recomenda atualização de leis, fortalecimento de delegacias especializadas e diálogo contínuo entre pais e filhos sobre uso da internet.
O relatório Disrupting Harm in Brazil, da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) joga luz sobre um ponto cego da vida digital: como celulares, redes sociais e games se tornaram ferramentas centrais de violência sexual contra crianças e adolescentes. Os números são duros. Em apenas 12 meses, 19% dos adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos que usam internet, que totalizam cerca de 3 milhões de jovens, foram vítimas de algum tipo de exploração ou abuso sexual online.
O estudo mostra que o problema mora exatamente nas plataformas do dia a dia. Em 52% dos casos, o primeiro contato com o agressor começou online, em redes sociais, aplicativos de mensagem, jogos e ambientes digitais de convivência.
A pesquisa combina dados quantitativos com histórias de bastidor. Foram ouvidos adolescentes, profissionais de proteção, equipes de atendimento e especialistas que lidam com esse tipo de violência.
Segurança digital: muito além dos antivírus
Normalmente quem acessa as redes sociais fica preocupado com a segurança online. A primeira camada de preocupação tem relação direta com senhas, possibilidade de clicar em links que instalam programas maliciosos, invasões e, claro, os acessos indevidos a apps de bancos e fintechs. A verdade é que essa é a primeira camada. Da segurança.
Rapidamente as preocupações avançam para as Fakes News que podem atingir o tamanho de um tsunami de desinformação com resultados desastrosos. São campanhas antivacina ou até pirâmides financeiras com ganhos tão improváveis como cultivar alface na lua.
A internet se transformou em um universo desconhecido e agressivo para a maioria dos pais. São códigos que não se entendem em uma linguagem que muda e se adapta rapidamente. Principalmente em um país que tem números expressivos de acesso e uso de celulares e internet. Estudo Cetic.BR, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, relata que, em 2024, 36% das crianças entre 6 e 8 anos já possuem seus próprios celulares. E mais: 82% já acessam a internet.
Os números são ainda mais impactantes em faixas etárias em que a posse de celular não faz sentido, com raríssimas exceções: 5% das crianças entre 0 e 2 anos e 20%% das que têm entre 3 e 5 anos possuem seus aparelhos.
9 a 10 anos: 67% das crianças possuem seu próprio dispositivo.
0 a 2 anos: Cerca de 5% das crianças já possuem celular próprio, com 44% acessando a internet de alguma forma.
3 a 5 anos: 20% possuem celular próprio, com 71% acessando a internet
O que o estudo recomenda
As recomendações tocam governo, plataformas e famílias.
Para o Estado, o relatório pede:
atualização e aplicação rigorosa de leis de proteção;
fortalecimento de delegacias especializadas;
canais de denúncia mais eficazes;
capacitação de profissionais de atendimento e proteção.
Para pais e responsáveis, o estudo desmonta a ilusão do “é só tirar o celular”. Muitos adolescentes não contam o que viveram por medo de punição, em especial perder o aparelho, o jogo, os amigos ou o acesso às redes.
Por isso, a recomendação prática é:
manter diálogo contínuo sobre o que fazem na internet;
saber com quem jogam e conversam;
combinar regras claras de uso;
revisitar essas regras com o próprio jovem;
aprender, junto com eles, a usar ferramentas de bloqueio e denúncia;
saber a quem recorrer quando algo grave acontecer.
Entre os canais e redes de apoio, entram:
escola;
conselho tutelar;
delegacias especializadas;
Disque 100;
serviços locais de proteção à criança e adolescentes.
Bem-estar digital também é proteção
No cruzamento entre tecnologia e bem-estar, “Disrupting Harm in Brazil” propõe uma mudança de mentalidade: sair da reação a escândalos isolados e enxergar a violência sexual online como parte da arquitetura digital que crianças e adolescentes habitam todos os dias.
Bem-estar digital de crianças também passa por conversa contínua. Em vez de só “tirar o celular”, o estudo sugere:
falar regularmente sobre o que a criança faz online;
perguntar com quem conversa;
observar em quais jogos e redes onde a criança fica mais tempo;
combinar regras claras de uso com aplicativos de acompanhamento;
ensinar o básico sobre consentimento digital;
mostrar como bloquear contatos;
restringir quem pode mandar mensagens;
denunciar perfis e conteúdos abusivos;
construir uma “rota de ajuda” conhecida pela criança.
A orientação mais importante talvez seja esta: quando um filho relata algo grave, a reação inicial precisa ser acolhedora. Punir e agir de maneira agressiva coloca a criança, a vítima, como responsável pela violação sofrida. Ela se sente insegura. Segurança online implica, também, em sentir segurança para buscar ajuda.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec