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Entre algoritmos e afeto: a nova era das experiências de marca
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Embora potentes, as evoluções tecnológicas não surgem para substituir o talento humano, mas para empoderar o trabalho criativo
A moda e a tecnologia sempre caminharam lado a lado, desde a invenção do tear mecânico até a ascensão da Inteligência Artificial (IA). Atualmente, essas ferramentas desembarcam no setor para monitorar o consumo em tempo real, rastrear desde o surgimento de novas tendências de cores até o retorno de modelagens de décadas passadas. O objetivo é mapear, de forma precisa, as microtendências que emergem a cada instante no ecossistema digital.
Nesse cenário, gigantes do fast fashion, como as Lojas Renner, têm intensificado a implementação tecnológica em todas as etapas, da pré-produção à jornada final do consumidor. Em entrevista, Juliana Fresca, diretora de estilo da marca, contextualiza como a inovação atua como um acelerador criativo e operacional.
“Nós enxergamos a integração entre moda e tecnologia como um grande pilar para entregar produtos cada vez mais relevantes e alinhados ao comportamento dos nossos clientes. A inteligência artificial e a análise de dados possibilitam identificar tendências em tempo real, reduzir desperdícios e oferecer uma experiência de moda ainda mais personalizada”, explica a executiva.
A tecnologia também é uma aliada estratégica da sustentabilidade produtiva ao mitigar o uso de amostras físicas. No modelo tradicional, dezenas de peças eram confeccionadas e enviadas globalmente apenas para aprovação; hoje, a prototipagem 3D permite que esse processo seja inteiramente digital.
Juliana detalha como a Renner tem otimizado esse fluxo: “nós desenvolvemos coleções no ambiente digital, usando ferramentas como 3D no processo de design, modelagem e aprovação de peças. Isso vem sendo feito com algumas linhas de produtos, incluindo nossas collabs, e deve ganhar mais espaço no futuro. O avanço constante dessas ferramentas encurta o ciclo criativo e diminui a necessidade de amostras físicas, tornando a operação mais eficiente”.

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O Fim do “Estoque Morto”
Outro avanço crucial aborda um dos maiores desafios da indústria: o excedente de produção que, sem vazão comercial, muitas vezes acaba em aterros sanitários. A análise de dados permite um “ajuste fino”, calculando o volume exato de peças necessário para a demanda de cada região.
“A tecnologia ajuda a tornar toda a cadeia mais precisa e sustentável. A IA nos permite prever a demanda com muito mais segurança, o que reduz excessos e acelera o desenvolvimento de novas peças”, destaca a diretora.
Para além dos bastidores produtivos, a IA otimiza a experiência do cliente ao integrar os mundos físico e digital (phygital). Ferramentas como provadores virtuais e sistemas de recomendação personalizada aproximam a navegação online da vivência em loja, aumentando a confiança na compra e reduzindo as taxas de devolução.
“As clientes já percebem esses benefícios: o provador virtual no aplicativo e no site permite que elas se vejam com os produtos da nova coleção antes da compra. A mesma tecnologia impulsiona nossas recomendações, que se tornam cada vez mais assertivas e alinhadas ao estilo e histórico de cada pessoa”, pontua Juliana.
Embora potentes, as evoluções tecnológicas não surgem para substituir o talento humano, mas para empoderar o trabalho criativo. O horizonte do setor aponta para uma moda cada vez mais circular, rastreável e ultra-personalizada. O papel de grandes marcas será equilibrar o potencial dos algoritmos com o toque humano e a responsabilidade socioambiental, definindo não apenas o que vestiremos amanhã, mas como isso impactará o planeta.
Estudante de Publicidade e Propaganda, artista e pesquisadora na área de artes visuais com foco em história da arte, filosofia e poéticas.
8 de abril de 2026LifesTec
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