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A reinvenção do tênis começa antes do primeiro saque

UTS Rio aposta em tecnologia, ritmo acelerado e entretenimento para aproximar o esporte de uma geração acostumada a consumir experiências, não apenas partidas.

Por: Clarissa Palácio

Créditos: Divulgação

O UTS chega à América do Sul pela primeira vez em 2026 tendo o Brasil como país escolhido para sua estreia

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  • Novak Djokovic afirmou, em entrevista no Wimbledon (29), que é preciso coragem para inovar no tênis.
  • Marco Farah, da ODDZ e porta‑voz do UTS Rio, explicou que o UTS traz regras e ambiente diferentes para gerar um círculo positivo no esporte.
  • A PlayPiso, liderada por Alan Chusid, fornecerá tecnologia capaz de montar quadras perfeitas em poucos dias para o evento.
  • O UTS estreia na América do Sul em 2026, com o Brasil como país‑sede, após acordo entre a equipe de Marco Farah e Patrick Mouratoglou.
Por Clarissa Palácio

 

“Os jovens não vão ficar sentados por quatro ou cinco horas por dia acompanhando uma partida de tênis. Os Grand Slam são outra história, mas, fora deles, os demais torneios deveriam testar formatos mais dinâmicos, com partidas mais curtas e propostas que dialoguem melhor com o público jovem. Precisamos ter coragem para inovar”, afirmou Novak Djokovic, tenista profissional sérvio, em entrevista em Wimbledon na última segunda-feira (29). Essa provocação coloca em xeque um desafio, por vezes, difícil de ultrapassar: as novas gerações demandam que o mundo se adapte a um dinamismo veloz, urgente e criativo.

É nesse contexto que surge o Ultimate Tennis Showdown – ou simplesmente UTS: uma liga internacional de tênis pioneira, cujo propósito é reformular o modelo tradicional para atrair um público mais jovem. A competição se diferencia por elevar o esporte ao status de grande entretenimento, se apoiando em regras dinâmicas, confrontos cronometrados, música e o engajamento ativo do público. “Existe um enorme respeito por tudo o que é intrínseco ao tênis: seus valores, sua tradição e tudo mais. Mas é uma reflexão sobre a possibilidade de existir também um outro formato. O UTS nasce justamente nesse cenário, em que o esporte se autoprovoca, se autoquestiona. Não no sentido de mudar completamente, mas de oferecer uma opção”, explica Marco Farah, diretor de estratégia da ODDZ e porta-voz do UTS Rio.

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O grande ponto da competição é que ela não releva o esporte profissional e nem as regras tradicionais. O que acontece, na verdade, é a expectativa de que regras diferentes, em um ambiente diferente e com um propósito diferente, gerem um círculo positivo para o esporte como um todo. “Muita gente vai ter o UTS como porta de entrada para o tênis. Vai ver jogadores incríveis, como o Fonseca, que dispensa apresentações, além de Nick Kyrgios, Brandon Nakashima e Cameron Norrie. Depois, onde essa pessoa vai acompanhar esses atletas? No circuito oficial. Então, esse é o primeiro passo para muita gente. E, para quem já acompanha o esporte, é uma grande oportunidade”, afirma Alan Chusid, CEO da PlayPiso – empresa responsável pela tecnologia impressionante e novadora que simplesmente faz surgir uma quadra perfeita em questão de dias.

Brasil como ponto de partida

O UTS Rio chega à América do Sul pela primeira vez em 2026 tendo o Brasil como país escolhido para sua estreia – e isso graças ao contato próximo entre a equipe de Marco e Patrick Mouratoglou, criador do UTS e hoje um dos principais defensores do formato. “Era uma licença que a gente já vinha namorando há bastante tempo, mas algumas chaves precisavam ser viradas”, conta Marco. E isso não se deve só ao fato de que a licença do torneio estava sendo disputada por outras sedes, mas porque, até pouco tempo atrás, o cenário brasileiro não parecia o ideal. Marco acredita que “existe uma maturidade do fã e também da infraestrutura. Hoje o Brasil está completamente preparado e no mesmo nível de outras sedes do mundo para receber um evento desse porte”.

Alan concorda. “Como um todo, o Brasil está cada vez mais desenvolvido. Temos uma visibilidade global muito relevante. Nosso país sempre foi reconhecido internacionalmente, mas isso vem se consolidando cada vez mais. Os atletas estão se destacando, existem empresas muito sérias e preparadas e uma busca constante pelo que existe de melhor. Afinal, você não coloca os melhores jogadores do mundo em um evento que não seja extremamente organizado, sério em todos os detalhes e com um palco adequado para receber atletas desse nível“, complementa. Para ele, é um conjunto de fatores que torna o momento único e perfeito para receber o torneio.

Créditos: Divulgação

Legenda: Marco Farah, diretor de estratégia da ODDZ e porta-voz do UTS Rio (esquerda) e Alan Chusid, CEO da PlayPiso (direita)

Mais que uma quadra, um palco

Muito se fala sobre as regras diferentes e o entretenimento do UTS, mas existe uma inovação que o público quase não percebe: a própria quadra. Isso porque ela ainda não existe. “A gente foi atrás e trouxe uma quadra com tecnologia de madeira. São pouco mais de 500 blocos que se encaixam, para você ter uma ideia. E isso tudo fica pronto em até três dias, incluindo a pintura e assim por diante. Depois, a desmontagem acontece em dois dias. É um processo extremamente eficiente, que garante uma solução em nível de qualquer competição, reconhecida pelos órgãos internacionais do tênis, ATP e ITF”, explica Alan.

O espaço onde os maiores tenistas do mundo competirão, entre 16 e 18 de julho, foi pensado para ser montado e desmontado quase como um lego gigante em ainda assim, contar com as tecnologias mais avançadas do mercado. Alan conta que “trouxe, junto com a GreenSet, que é uma das principais empresas do mundo quando se fala de quadra rápida, aquela quadra dura de base asfáltica, que inclusive faz o Australian Open, um dos quatro Grand Slams. A gente foi buscar o que tinha de mais moderno no mundo para proporcionar um palco no nível dos atletas que vão jogar e, de fato, habilitar essa experiência”.

A importância desse diferencial, para Marco, é o fato de que a quadra de tênis tem uma magia e um protagonismo que as superfícies de outros esportes não têm. “Isso é muito especial e, justamente por ser especial, recai sobre ela uma exigência muito grande. É um palco, literalmente. Existe uma série de exigências que o público vai perceber. Ela é parte do espetáculo. Então, tanto nós quanto o UTS Global olhamos cada mínimo detalhe”, comenta.

Segundo ele, durante as conversas que resultaram na escolha da melhor superfície, ficou claro que o que vai acontecer no Maracanãzinho será mais que um torneio: será um show. “Tem uma série de revisões de regras. Você não pode virar para trás porque perde uma jogada. Então, se a quadra não corrobora para isso, se ela não está pronta para entregar esse tipo de jogo, de performance e de entretenimento, a gente não conseguiria trazer um evento desse para o Brasil. Isso é um fato. E tem um ponto muito legal: normalmente, nos outros países e cidades pelos quais o UTS passou, o UTS Global teve que levar a própria quadra. E aqui a gente falou: “Cara, tem um outro nível.” A gente está trazendo uma quadra inédita para o Brasil. É muita tecnologia, a ponto de o UTS Global ficar impressionado”, completa.

Paixão como protagonista, tecnologia como coadjuvante

A escolha do Maracanãzinho para receber o UTS Rio, para Marco, é algo extremamente significativo. “É uma arena icônica de diversos esportes, que já foi palco do tênis. Depois de tantos anos, voltar a ter tênis lá é marcante”, diz. Além disso, o espaço se torna ainda mais especial por ser a sede do que os profissionais consideram como a Copa do Mundo do tênis. “Um dos grandes desafios que os torneios sul-americanos enfrentam é que o público costuma dizer: “Ah, só vêm jogadores sul-americanos.” No nosso caso, não. A gente está reunindo atletas de várias nacionalidades: americanos, franceses, australianos, brasileiros… A gente praticamente vai fazer uma Copa do Mundo do tênis no país do futebol, dentro do Maracanãzinho – durante a Copa do Mundo de futebol”.

Mas, antes de chegar às graças que o espaço representa e oferece, foi necessário encarar alguns desafios. “A a gente precisou fazer adaptações para garantir o espetáculo dentro da quadra. Fora da quadra também houve mudanças. Desde a parte de transmissão até as cadeiras, infraestrutura e tudo mais. Tudo passa por uma revisão para se adequar a um evento muito particular, de padrão global. Foi muito importante fazer um período de imersão bem significativo”, conta Marco.

Isso se dá, principalmente, pelo fato de que a equipe que está preparando o torneio não subestima o público. “As pessoas reconhecem que a qualidade do palco faz parte fundamental do espetáculo. E, no fim das contas, esse universo novo da tecnologia tem um aspecto muito interessante. A parte mais legal do esporte tradicional, do esporte físico, é que toda tecnologia que surgir vai agregar, mas não elimina a necessidade de continuar evoluindo a tecnologia física do produto em si”, afirma Alan. Afinal, ele conta, que mesmo existindo robôs capazes de fazer a pintura de forma super automatizada, controlando milimetricamente a quantidade de resina aplicada por metro quadrado, as quadras dos maiores eventos do mundo continuam sendo pintadas manualmente.

Para ele, o público sente quando está diante de um espetáculo em que tudo ao redor foi pensado e executado com qualidade. “Talvez seja difícil explicar tecnicamente o que está diferente. Mas a sensação é muito clara. Sabe quando você chega a um lugar e percebe que tudo foi muito bem pensado e muito bem-feito? Acho que isso é muito fácil de sentir. Essas tecnologias vêm para agregar, e agregam mesmo. Elas permitem, por exemplo, brincar muito mais com o design da quadra antes mesmo de ela existir fisicamente. Sem esse nível de tecnologia, hoje não conseguiríamos fazer mockups com a mesma velocidade. Mas a gente consegue trazer todo esse universo tecnológico para o mundo real, muitas vezes de uma forma quase artística, para garantir que, no fim das contas, a quadra seja uma verdadeira obra de arte”, completa.

Créditos: Divulgação

Legenda: A quadra que abrigou o UTS Torino, na Itália

“Bora fazer história”

Se fosse possível definir o UTS Rio com uma única palavra, é provável que a escolha fosse “dinamismo”. Isso porque a ideia é que o dinamismo seja o fio condutor do espetáculo a ser produzido pelo torneio. Segundo Marco, “tudo é muito intenso e muito rápido. A quadra é rápida, os jogadores são de altíssimo nível, a troca de bolas acontece em uma velocidade muito grande. Não existe segundo saque. Se você olha para trás, perde alguma coisa. E, sem a tecnologia, a gente perderia isso”. Para ele, o grande sinônimo do sucesso da competição será o público justamente entender – e se apaixonar – pela agilidade do novo formato. “Quem entende mais de superfícies e tecnologia vai perceber o papel da quadra. Quem conhece os jogadores vai entender que eles fazem parte disso. Quem conhece as regras vai perceber o impacto delas. Mas, no final das contas, é o conjunto que faz a diferença”, completa.

As expectativas estão altas. O nível de exigência não é de qualquer evento, mas Alan dá o spoiler de que falta muito pouco para que o torneio ideal saia do papel com sucesso. “É admirável, porque existe um horizonte, um timing fechado. Não é que “pode escorregar mais um dia”. Não pode escorregar mais um dia. São 500 fornecedores diferentes trabalhando juntos e todo mundo correndo, porque cada um tem a sua entrega. Então, é de tirar o chapéu mesmo, sabe?”, diz.

Ele enxerga o UTS Rio, mais que como uma marca significativa da história da PlayPiso, como uma motivação quase irracional de transformar vidas. “Eu vejo que talvez várias e várias crianças vão entender que é possível um dia chegar lá, estar em um grande palco. Inclusive, a quantidade de gente que vem de situações de menor privilégio social e que, às vezes, começa como um garotinho ou uma garotinha catando bolinha e constrói uma jornada dentro do tênis”.

Afinal, o time de gandulas é formado por crianças que jogam tênis em projetos sociais no Rio de Janeiro. “Então, imagina quanto vale para essa criançada poder ver os maiores ídolos ali e, de alguma forma, estar a cinco ou dez metros de distância. No final do dia, a gente sabe como sonhar é importante. E como o esporte, quando a gente fala da base — não da base em nível social, mas da infância —, pouco importa se a criança é rica ou pobre, de onde ela vem. Ela vai para casa à noite e sonha: “Nossa, eu vou ser o próximo Guga, eu vou ser o próximo Fonseca, eu vou ser a Beatriz”.  É uma energia quase nuclear que faz esse sonho se transformar em uma direção para a vida. Isso impacta a educação, impacta a saúde, impacta a família, impacta a rotina, as amizades. Impacta tudo”, finaliza.

Clarissa Palácio

Jornalista de lifestyle. Moda, beleza, gastronomia, esportes e tecnologia sob o olhar das tendências que movem a vida cotidiana.

10 de julho de 2026

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