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Créditos: Gerado por IA
Mais do que um dispositivo eletrônico, a prancha representa uma mudança de perspectiva sobre inclusão
O futebol é um dos maiores patrimônios culturais do Brasil. Está presente nas conversas do dia a dia, reúne famílias em frente à televisão, lota estádios e mobiliza milhões de torcedores durante campeonatos nacionais e internacionais. Mas para uma parcela significativa da população, acompanhar uma partida ainda depende quase exclusivamente da narração em áudio.
Uma tecnologia desenvolvida na Irlanda pretende transformar essa experiência. Batizada de Field of Vision, ela permite que pessoas cegas ou com baixa visão acompanhem uma partida de futebol utilizando o tato. Em vez de apenas ouvir o que acontece em campo, o torcedor passa a sentir o deslocamento da bola e os principais acontecimentos do jogo sobre uma prancha eletrônica que reproduz, em miniatura, um campo de futebol.
O equipamento combina inteligência artificial, análise de dados esportivos em tempo real e tecnologia háptica — responsável por produzir vibrações controladas — para criar uma experiência muito mais imersiva. O resultado é uma nova forma de inclusão, capaz de aproximar milhões de pessoas do esporte mais popular do planeta.
Segundo os resultados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, aproximadamente 6,5 milhões de brasileiros possuem deficiência visual, incluindo pessoas cegas e pessoas com grande dificuldade para enxergar, mesmo utilizando óculos ou lentes corretivas. O cenário mundial também demonstra a relevância desse tipo de tecnologia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que pelo menos 2,2 bilhões de pessoas convivem com algum tipo de deficiência visual para longe ou para perto, e cerca de 1 bilhão desses casos poderiam ser prevenidos ou ainda não receberam tratamento adequado.
Os números mostram que a acessibilidade não se limita à educação, ao transporte ou aos serviços públicos. Ela também envolve lazer, cultura e esporte. Em um País onde o futebol é frequentemente tratado como uma paixão nacional, ampliar a participação das pessoas com deficiência visual significa fortalecer a inclusão em um dos principais elementos da identidade brasileira.
A Field of Vision é uma startup irlandesa especializada em tecnologia assistiva. Seu objetivo é desenvolver soluções capazes de tornar eventos esportivos mais acessíveis utilizando inteligência artificial, sensores e dados gerados durante as partidas.
O principal produto da empresa é uma prancha eletrônica portátil que reproduz um campo de futebol em alto-relevo. As linhas laterais, áreas, círculo central e demais marcações podem ser identificadas apenas com o toque dos dedos, permitindo que o usuário compreenda a organização espacial do gramado sem depender da visão. O equipamento foi projetado para ser utilizado durante partidas ao vivo, transformando informações digitais em estímulos físicos praticamente em tempo real.
A tecnologia recebe continuamente dados oficiais da partida provenientes dos sistemas de rastreamento utilizados nos estádios. Essas informações incluem a posição da bola, mudanças de posse, ataques, finalizações e outros eventos relevantes do jogo. Esses dados são processados por um sistema inteligente que movimenta um pequeno cursor magnético sobre a superfície da prancha. À medida que a bola percorre o gramado, esse marcador reproduz o mesmo deslocamento no campo em miniatura.
Enquanto acompanha esse movimento com os dedos, o torcedor consegue perceber em qual setor do campo a bola está, para qual direção a jogada evolui e como o lance se desenvolve. Além desse deslocamento físico, a prancha utiliza tecnologia háptica para produzir diferentes padrões de vibração. Dependendo da intensidade e da configuração adotada, esses estímulos indicam acontecimentos importantes da partida, como finalizações, escanteios, disputas de bola e gols.
O equipamento cria uma espécie de “narração tátil”, complementando a transmissão tradicional e oferecendo uma percepção muito mais rica da dinâmica do jogo.
Especialistas em acessibilidade apontam que um dos maiores méritos da tecnologia é transformar o papel do torcedor com deficiência visual.
Tradicionalmente, acompanhar uma partida significava ouvir a descrição feita por narradores ou acompanhantes. Com a prancha, o usuário passa a construir mentalmente o jogo a partir da posição da bola e dos estímulos recebidos pelas mãos.
Essa percepção espacial permite compreender a construção das jogadas, identificar momentos de pressão ofensiva, mudanças de direção dos ataques e até antecipar situações de perigo. Além de transmitir informação, a tecnologia aumenta a sensação de participação e pertencimento ao espetáculo esportivo.
Embora o destaque seja a experiência tátil, a inteligência artificial desempenha um papel essencial no funcionamento do equipamento.Ela interpreta continuamente o grande volume de dados gerados durante a partida e os converte em comandos que movimentam o cursor e acionam os diferentes padrões de vibração.
Esse processamento precisa ocorrer praticamente em tempo real para que a experiência mantenha sincronismo com o jogo.O projeto demonstra como a inteligência artificial pode ser utilizada além das aplicações mais conhecidas, como geração de textos ou reconhecimento de imagens, servindo também para ampliar a acessibilidade e reduzir barreiras sociais.
Até o momento, a Field of Vision ainda não anunciou a comercialização oficial da prancha no mercado brasileiro. Mesmo assim, especialistas avaliam que o País reúne características que favorecem a adoção desse tipo de solução. O Brasil possui milhões de pessoas com deficiência visual, uma das maiores comunidades de torcedores de futebol do mundo e uma tradição crescente na adoção de tecnologias assistivas.
À medida que inteligência artificial, sensores e transmissão de dados em tempo real evoluem, equipamentos como a Field of Vision tendem a se tornar mais acessíveis e a encontrar aplicações em outros esportes, espetáculos e eventos culturais.
Mais do que um dispositivo eletrônico, a prancha representa uma mudança de perspectiva sobre inclusão. Ela demonstra que a tecnologia pode aproximar pessoas de experiências que fazem parte da cultura de um País. Em uma nação onde o futebol desperta emoções coletivas como poucas manifestações culturais conseguem fazer, permitir que mais brasileiros acompanhem uma partida de forma autônoma significa tornar esse patrimônio verdadeiramente acessível a todos.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
24 de julho de 2026LifesTec
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