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Entre a vitrine e o museu, a moda busca seu lugar nas artes
A fronteira entre moda, arte e produto fica cada vez mais difícil de definir à medida que novas tecnologias ampliam o campo da criação
Créditos: Divulgação
Os dados mais recentes reforçam que a tecnologia já pode ser avaliada a partir de milhões de quilômetros de operação real, e não apenas de testes controlados
A Waymo divulgou novos dados sobre a segurança de seus veículos autônomos e reforçou a tese de que os robotáxis podem apresentar taxas de acidentes inferiores às registradas por carros conduzidos por humanos. A análise mais recente reúne mais de 270 milhões de milhas percorridas sem motorista até o fim de junho de 2026 em cinco áreas metropolitanas dos Estados Unidos: Atlanta, Austin, Phoenix, Los Angeles e a região da Baía de San Francisco. O volume representa cerca de 50 milhões de milhas a mais em relação ao levantamento anterior da companhia.
Segundo a Waymo, a distância acumulada equivale a mais de 300 vidas humanas ao volante, considerando uma média de aproximadamente 850 mil milhas dirigidas ao longo da vida. A empresa afirma que, no período analisado, seus veículos estiveram envolvidos em 82% menos acidentes que provocaram ferimentos e em 95% menos colisões que resultaram em ferimentos graves ou piores, na comparação com motoristas humanos nas mesmas regiões. Os percentuais consideram os acidentes independentemente de qual parte tenha sido considerada responsável pela ocorrência.
Os resultados também apontam diferenças quando o foco são usuários vulneráveis das vias. De acordo com a Waymo, os veículos autônomos estiveram envolvidos em 93% menos acidentes com pedestres que resultaram em ferimentos, 86% menos ocorrências desse tipo envolvendo ciclistas e 82% menos envolvendo motociclistas. A companhia estima que, considerando os 841 acidentes com ferimentos que teriam sido evitados em relação ao parâmetro humano, pelo menos 841 pessoas deixaram de sofrer lesões.
Apesar da quantidade expressiva de quilômetros, a própria dimensão do trânsito americano ajuda a colocar os números em perspectiva. Os mais de 270 milhões de milhas acumulados pela Waymo ainda representam uma parcela pequena dos cerca de 3 trilhões de milhas percorridas anualmente por motoristas humanos nos Estados Unidos. Além disso, os veículos autônomos não circulam nas mesmas condições e em todos os locais em que os motoristas humanos dirigem, o que torna comparações amplas mais complexas.
A expansão da tecnologia também ocorre em um cenário no qual os veículos da Waymo utilizam sistemas específicos de percepção e assistência à condução, incluindo sensores e recursos de frenagem e prevenção de colisões. Por isso, uma das questões levantadas por especialistas é até que ponto os resultados refletem exclusivamente a capacidade do sistema autônomo de condução ou também o efeito do conjunto de tecnologias de segurança embarcadas nos veículos.
Outro problema é a ausência de um padrão único para coleta e divulgação de informações sobre acidentes envolvendo veículos autônomos. Diferentes empresas podem operar em cidades, condições de trânsito e escalas distintas, enquanto os dados disponíveis para comparação com motoristas humanos são produzidos por sistemas de registro diferentes.
O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) chegou a uma conclusão semelhante sobre a diferença nas taxas de acidentes, mas também apontou limitações importantes. Em estudo publicado em julho de 2026, o instituto calculou que os veículos da Waymo em operação totalmente autônoma tiveram uma taxa de envolvimento em acidentes reportáveis à polícia 68% menor por milha do que motoristas humanos nas mesmas cidades e anos. A taxa de acidentes com ferimentos foi 81% menor.
O estudo, porém, destacou que o sistema federal de acompanhamento de acidentes envolvendo veículos automatizados ainda não é adequado para monitorar continuamente uma expansão em larga escala. Os pesquisadores precisaram analisar manualmente relatos de acidentes para determinar quais ocorrências seriam comparáveis aos acidentes normalmente registrados pela polícia envolvendo motoristas humanos. Apenas 22% das ocorrências envolvendo veículos automatizados analisadas foram classificadas como provavelmente reportáveis à polícia ou possivelmente reportáveis.
A Waymo vem ampliando a operação comercial de seus robotáxis nos Estados Unidos. A empresa afirma atender mais de 500 mil viagens pagas por semana e já utiliza seus veículos em diferentes grandes áreas metropolitanas. Em paralelo, prepara novas expansões, inclusive fora dos Estados Unidos, enquanto enfrenta discussões regulatórias e questionamentos sobre os impactos da tecnologia no transporte urbano.
Entre as preocupações levantadas por autoridades e especialistas estão os possíveis efeitos sobre o trânsito, a interação entre veículos autônomos e demais usuários das ruas e o impacto da automação sobre empregos ligados à condução de veículos. Cidades como Nova York, Boston e Washington, D.C. ainda apresentam obstáculos à expansão do serviço.
A escala também aumenta a importância de acompanhar situações que não aparecem necessariamente em estatísticas tradicionais de colisões. Interrupções no trânsito, comportamento dos veículos em situações atípicas e episódios que não provocam ferimentos ou danos relevantes podem influenciar a experiência de circulação nas cidades sem necessariamente aparecer nos principais indicadores de segurança.
Além das análises divulgadas pela própria Waymo, os veículos autônomos da empresa estão sujeitos a regras federais de comunicação de determinados acidentes nos Estados Unidos. A partir de 2021, a Administração Nacional de Segurança no Trânsito Rodoviário (NHTSA) passou a exigir o envio de informações sobre determinadas ocorrências envolvendo sistemas automatizados.
Esses registros permitem observar um conjunto mais amplo de incidentes do que os utilizados nas comparações estatísticas da Waymo. A diferença entre as bases é relevante porque um levantamento pode considerar todas as ocorrências reportadas, enquanto outro pode aplicar filtros para comparar apenas acidentes equivalentes aos registrados entre motoristas humanos.
Um dos casos registrados envolveu um pedestre em Dallas. Segundo o relato, a pessoa foi atingida inicialmente por um veículo conduzido por um motorista humano e, depois de cair no pavimento, acabou sendo arremessada contra um veículo da Waymo. O episódio resultou em uma morte.
O caso ilustra uma das dificuldades de medir a segurança de veículos autônomos apenas pela quantidade de colisões: nem todo acidente envolvendo um robotáxi é necessariamente provocado pelo sistema de direção automatizada. Por isso, além da quantidade de ocorrências, pesquisadores precisam considerar fatores como responsabilidade, contexto, tipo de acidente, exposição ao risco e distância percorrida.
Os dados mais recentes reforçam que a tecnologia já pode ser avaliada a partir de milhões de quilômetros de operação real, e não apenas de testes controlados. Ao mesmo tempo, os estudos independentes indicam que a expansão dos robotáxis exige métodos mais uniformes para registrar acidentes e comparar seus resultados com os de motoristas humanos. A discussão sobre a segurança dos carros autônomos, portanto, passa não apenas pelos números apresentados pelas empresas, mas também pela forma como esses números são coletados, comparados e interpretados.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
28 de setembro de 2026LifesTec
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