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Guia prático de coisas de mulher, por ChatGPT

Usei a inteligência artificial para me ajudar a descobrir o que uma mulher pode ou não - visto que estamos vivendo uma realidade em que a maioria dos direitos das mulheres estão ameaçados

Por: Clarissa Palácio

Coisa de mulher é aquilo que não precisa ser autorizado por ninguém

Créditos: Freepik

Coisa de mulher é aquilo que não precisa ser autorizado por ninguém

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  • Clarissa Palácio publicou, com auxílio do ChatGPT, um “Guia prático de coisas de mulher” dividido em entretenimento, esporte, relacionamento, saúde e trabalho.
  • O guia recomenda obras como *Anniversary: Mudança Radical* (2025, Prime Video) e *O Conto da Aia* (2017, Netflix) para refletir sobre direitos femininos.
  • Na final do Brasileirão Feminino A1 de 2026, o MorumBIS recebeu 49 405 torcedores, recorde histórico segundo a CBF.
  • Uma revisão sistemática liderada pelo professor Bruno Gualano (USP) em 2026 concluiu que não há evidência de vantagem física automática de atletas trans sobre atletas cis.
Por Clarissa Palácio

 

Nos últimos dias, uma das maiores pautas das redes sociais é: o que uma mulher pode ou não fazer? Para uns e outros, mulheres não deveriam poder votar, não sofrem feminicídio, aquelas em situação de vulnerabilidade não precisam de absorvente gratuito, tampouco de políticas públicas de proteção a violência contra as mulheres, tampouco do feminismo. São nãos demais, nada pode, nada deve, nada precisa. Afinal, o que é coisa de mulher?

Perguntei isso ao ChatGPT pra que ele me elucidasse (visto que eu, como mulher, pelo visto não posso várias coisas que eu imaginei serem meus direitos mais básicos, né?). A resposta:

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“Depende do que você quer dizer com “coisa de mulher”. Se a pergunta é no sentido cultural — aquilo que costuma ser associado ao universo feminino — dá para pensar em várias categorias:

  • Beleza e autocuidado: maquiagem, skincare, cabelo, unhas, perfumes, depilação.
  • Moda e acessórios: roupas, bolsas, sapatos, joias, bijuterias, acessórios para cabelo.
  • Casa e cotidiano: decoração, organização, enxoval, itens para deixar a casa mais bonita e confortável.
  • Saúde e bem-estar: ciclo menstrual, contracepção, maternidade, saúde hormonal, cuidados íntimos.
  • Relacionamentos e vida social: encontros, casamento, amizades, etiqueta, presentes.
  • Cultura e entretenimento: romances, séries, livros, música, tendências e fenômenos de cultura pop associados ao público feminino.
  • Trabalho e identidade: carreira, independência financeira, liderança, empreendedorismo, maternidade e conciliação entre vida pessoal e profissional.
  • Tecnologia: produtos e serviços pensados para beleza, saúde, segurança, mobilidade, organização e rotina — de smartwatches a gadgets de skincare.
  • Pequenos rituais: café, vinho, banho demorado, perfume, arrumar a cama, escolher uma roupa, fazer as unhas, montar uma playlist… coisas que podem ser muito mais sobre experiência e identidade do que sobre gênero.

Mas tem uma distinção importante: “coisa de mulher” não precisa significar “coisa que só mulheres fazem”. Muitas dessas associações são construídas culturalmente e mudam bastante com o tempo”.

Não me ajudou muito… Se, de acordo com a inteligência artificial, mulheres podem tanta coisa, por que ao mesmo tempo afirma-se que mulheres não podem praticamente nada?

Guia prático da IA: o que é coisa de mulher?

Resolvi confiar um pouco no meu ponto de vista. Afinal, acho que eu, como mulher, tenho mais visão sobre o espectro feminino do que um homem que se diz representante das mulheres… né?

Enfim. Esse guia foi produzido com ajuda da inteligência artificial da OpenAI, o ChatGPT, e foi dividido em 5 categorias: entretenimento, esporte, relacionamento, saúde e trabalho.

Entretenimento

Comecemos pelo entretenimento, porque aparentemente até para assistir a um filme é preciso saber se aquilo é coisa de mulher. Como este é um guia prático, a primeira instrução é simples: escolha o conteúdo e assista. Para não correr riscos, o ChatGPT recomenda Anniversary: Mudança Radical (2025), disponível no Prime Video, que acompanha uma família diante da ascensão de um movimento político radical, e O Conto da Aia (2017), na Netflix, em que um regime totalitário transforma mulheres férteis em instrumentos de reprodução e controle. Achei importante incluir os dois títulos no manual, especialmente porque, se tem uma coisa que aprendi, é que aparentemente liberdade, autonomia e o direito de decidir sobre o próprio corpo podem ser assuntos bastante controversos. Melhor consultar o guia antes que alguém diga que também não posso assistir a séries.

Na literatura, o manual fica ainda mais esclarecedor. Bons Tempos (2026), de Caro Claire Burke, acompanha uma mulher que constrói nas redes sociais a imagem da esposa e mãe tradicional perfeita, enquanto Garota sobre garota (2026), de Sophie Gilbert, revisita a cultura pop dos anos 2000 e a maneira como mulheres foram objetificadas, às vezes, com o curioso nome de “empoderamento”. Anotei a seguinte orientação: uma mulher pode escolher ser dona de casa, trabalhar, casar, não casar, ter filhos, não ter filhos, gostar de romance, odiar romance e até mudar de ideia. Pelo menos é o que os livros indicam. Parece uma informação útil para um guia que pretende ensinar, com ajuda da inteligência artificial, o que é ou não “coisa de mulher”.

Na música, a situação também exige algumas atualizações no sistema. Marina Sena pode falar de desejo, Anitta pode cantar sobre liberdade e sexualidade e ainda provocar discussões sobre intolerância religiosa e religiões de matriz africana, Maria Bethânia pode continuar ocupando o palco mesmo depois de ultrapassar a idade em que a sociedade costuma achar que mulheres deveriam ficar discretamente fora de cena, e Liniker pode simplesmente ser uma mulher (embora algumas pessoas aparentemente tenham decidido que precisam de um regulamento para definir quais mulheres são mulheres de verdade). Instrução provisória do manual: não é necessário um algoritmo para classificar mulheres. Elas podem ser diferentes entre si. Podem cantar, escrever, atuar, envelhecer, desejar, mudar de ideia e existir sem pedir autorização. Vou marcar essa parte como “informação importante”.

Esporte

No esporte, o guia começa com uma descoberta muito interessante: mulheres podem praticar esportes. Todos eles, aparentemente. Futebol, vôlei, corrida, natação, luta, ginástica, skate, basquete… ainda estou investigando se existe alguma modalidade proibida, mas, por enquanto, não encontrei. Pelo contrário. Na final do Brasileirão Feminino A1 de 2026, São Paulo e Corinthians levaram 49.405 pessoas ao MorumBIS, o maior público da história do torneio, segundo a CBF. O número também superou o recorde anterior, de 44.529 torcedores, registrado na final de 2024. Portanto, primeira regra esportiva do manual: mulheres podem jogar futebol. E aparentemente tem bastante gente interessada em assistir.

Agora, o guia apresenta uma pequena atualização: existem algumas condições. A mulher pode praticar esporte, mas aparentemente é interessante que continue bonita, sensual e agradável aos olhos de quem estiver assistindo. O III Fórum Mulher no Esporte, realizado pelo Comitê Olímpico do Brasil em março de 2026, discutiu justamente como a mídia e as marcas retratam atletas mulheres e como a lógica das “musas” pode colocar beleza e feminilidade à frente de desempenho e competência esportiva. Em setembro, a polêmica envolvendo uma campanha de apostas que sexualizou o corpo feminino provocou novas críticas de atletas, que questionaram por que mulheres precisam continuar sendo apresentadas como objetos de desejo quando estão tentando fazer esporte. Fiquei um pouco confusa com essa etapa do tutorial: afinal, a mulher pode correr, lutar e jogar futebol ou precisa primeiro descobrir qual roupa vai agradar ao público?

E existe ainda uma regra que eu definitivamente não tinha entendido: algumas pessoas acham que determinadas mulheres não deveriam poder competir. Em 2026, uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores brasileiros liderados pelo professor Bruno Gualano, da Faculdade de Medicina da USP, analisou 52 estudos e 6.485 participantes e concluiu que a ideia de uma vantagem física automática e universal de mulheres trans sobre mulheres cis não encontra sustentação nas evidências disponíveis; os próprios pesquisadores ressaltam que os estudos têm limitações e que faltam dados sobre atletas trans de elite. Enquanto isso, a Confederação Brasileira de Voleibol passou, em agosto de 2026, a impedir a participação de atletas trans nas competições femininas, seguindo a nova política internacional adotada pela modalidade. Então, atualização do manual: coisa de mulher no esporte é jogar. Só não sei por que, para algumas pessoas, antes é preciso descobrir se a mulher está vestida do jeito certo, se é mulher o suficiente e, depois de tudo isso, se finalmente pode entrar em campo.

Relacionamento

No relacionamento, o guia traz uma regra aparentemente bastante simples: uma mulher deveria poder se relacionar com quem quiser e, principalmente, conseguir sair de uma relação que lhe faça mal. Achei que isso fosse meio óbvio, mas aparentemente também precisa ser explicado. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública: foram 1.571 mulheres mortas, e, nos casos em que a autoria foi identificada, 60,9% dos crimes foram cometidos por parceiros íntimos e 18,9% por ex-parceiros. Em 2026, entre janeiro e julho, foram registrados outros 848 feminicídios no país, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Isso me deixou especialmente confusa porque ouvi dizer que a palavra feminicídio seria uma espécie de “armadilha semântica” e que mulheres não morreriam por serem mulheres. Talvez essa parte do manual precise de uma atualização. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que a maior parte dessas mortes acontece justamente dentro de relações íntimas, enquanto o Ministério da Justiça define a violência doméstica e familiar como aquela baseada no gênero que pode ocorrer também em relações íntimas de afeto. Em agosto de 2026, inclusive, o Supremo Tribunal Federal decidiu que as medidas protetivas da Lei Maria da Penha devem alcançar qualquer forma de violência contra a mulher baseada no gênero, mesmo fora dos contextos doméstico, familiar ou afetivo. Portanto, instrução básica do guia: poder namorar, casar, terminar, discordar, dizer não e voltar para casa viva. Parece uma expectativa razoavelmente modesta.

Também descobri que essa regra vale para mulheres que gostam de mulheres. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou 1.393 denúncias de violações de direitos contra mulheres lésbicas até agosto de 2026, sendo a própria residência o principal local dos casos registrados. E, entre as mulheres trans e travestis entrevistadas pela Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado, 47% disseram já ter sofrido violência doméstica. Portanto, nova orientação adicionada ao manual: relacionamento pode ser com um homem, com uma mulher ou com ninguém. Desde que seja saudável, consensual e sem violência. O restante, felizmente, parece ser uma escolha nossa. Não foi necessário instalar nenhum aplicativo adicional para chegar a essa conclusão.

 

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Saúde

Na saúde, o guia começa com uma informação bastante básica: “coisa de mulher” inclui menstruar. Parece simples, mas aparentemente ainda precisamos discutir se absorvente é produto de necessidade ou luxo. Em 2026, a distribuição gratuita de absorventes pelo SUS atende meninas, mulheres e demais pessoas que menstruam inscritas no CadÚnico, segundo o Ministério da Saúde. A política existe porque não é exatamente fácil falar em dignidade, prevenção e saúde quando uma pessoa não consegue comprar o produto necessário para atravessar o próprio período menstrual. Ainda assim, há quem seja contra a distribuição gratuita. Teve gente que já criticou a política de absorventes gratuitos, além de se posicionar publicamente contra o voto feminino. Registro no manual: aparentemente, saúde feminina pode ficar bastante cara quando não é pública.

Depois, o guia traz outro item importante: ser mãe também deveria ser uma escolha. Inclusive a escolha de não ser mãe. O aborto continua criminalizado no Brasil fora das hipóteses previstas em lei, e a Human Rights Watch aponta que a criminalização pode afastar mulheres, meninas e pessoas grávidas dos serviços de saúde. E, para quem decidir ter um filho, aparentemente também seria interessante que a experiência acontecesse com respeito: dados da pesquisa Nascer no Brasil II, conduzida pela Fiocruz em 395 maternidades e com mais de 23 mil participantes, apontaram prevalência de 65,3% de violência obstétrica entre mulheres atendidas em maternidades do Rio de Janeiro, considerando dados coletados entre 2021 e 2023. O levantamento identificou, entre os episódios relatados, toques vaginais inadequados, negligência e abuso psicológico. Portanto, atualização do tutorial: uma mulher pode escolher ter filhos, desde que tenha acesso a uma gestação e a um parto seguros; e pode escolher não ter, desde que também tenha acesso a uma decisão segura. Intrigante.

Por fim, encontrei duas coisas que parecem ser bastante “de mulher”: SUS e Farmácia Popular. Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde informou que mais de 24,5 milhões de pessoas haviam sido atendidas pelo Farmácia Popular naquele ano, sendo mais de 63% mulheres; o programa oferece gratuitamente 41 itens de saúde e está presente em cerca de 5 mil municípios. Talvez seja por isso que eu tenha dificuldade de entender a ideia de que política pública de saúde seja um luxo: aparentemente, quando o assunto é mulher, coisas muito básicas como absorvente, medicamento, pré-natal, planejamento familiar e atendimento pelo SUS precisam ser constantemente defendidas. Ainda estou tentando descobrir em que momento cuidar da própria saúde virou uma coisa ideológica. Até agora, o manual indica apenas que uma mulher deve poder decidir sobre o próprio corpo e receber atendimento quando precisar dele.

Trabalho

Chegamos ao trabalho, e aqui o guia apresenta uma informação realmente surpreendente: aparentemente, mulheres podem trabalhar. E não apenas podem, como também podem votar, ser votadas e até ocupar cargos políticos. Segundo o Ministério das Mulheres, o direito de votar e ser votada foi conquistado no Brasil em 1932, depois de mais de cinco décadas de mobilização feminina. O movimento feminista e outras mobilizações de mulheres tiveram papel fundamental nessa ampliação de direitos. Por isso, fiquei um pouco confusa ao descobrir que uma deputada pode se declarar antifeminista e, ao mesmo tempo, construir uma carreira política. Em um vídeo, ela chega a dizer: “qualquer homem tem que ter o direito de me mandar voltar pra cozinha se ele quiser”. Talvez eu esteja entendendo errado, mas, se uma mulher realmente acredita que homens deveriam ter esse poder sobre ela, imagino que a conclusão lógica seja deixar a carreira política de lado, voltar para casa e esperar o marido mandar. Afinal, se o feminismo foi justamente um dos movimentos que ajudaram mulheres a conquistar o direito de votar, ser votadas, trabalhar e ocupar espaços públicos, talvez uma carreira política seja uma escolha curiosamente feminista para alguém que se declara antifeminista. Acho que o ChatGPT vai precisar criar uma nota de rodapé para essa contradição.

Depois, o manual apresenta outro problema: o direito de trabalhar não significa necessariamente receber o mesmo pelo trabalho. O 5º Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo Ministério das Mulheres em 2026, apontou uma diferença salarial média de 21,3% entre mulheres e homens nas empresas analisadas. O levantamento reuniu dados de 53,5 mil empresas com 100 ou mais empregados. E chegar ao topo também parece ser uma tarefa especialmente masculina: uma pesquisa da Susep com 142 empresas mostrou que mulheres eram 54,4% da força de trabalho, mas ocupavam apenas 28,5% dos cargos de gestão executiva e 18,5% dos assentos em conselhos de administração. Nova regra do guia: trabalhar bastante, estudar e conquistar experiência não garante que os degraus mais altos da escada corporativa estejam igualmente disponíveis para todo mundo.

E existe ainda a parte em que mulheres precisam trabalhar e, aparentemente, sobreviver ao fato de estarem trabalhando. Durante a campanha eleitoral de 2026, um levantamento da Justiça Global e da Terra de Direitos registrou 134 episódios de violência política, dos quais 60 tiveram mulheres cisgênero, trans e travestis como vítimas entre os casos envolvendo candidaturas. Elas representavam cerca de 35% das candidaturas, mas foram alvo de 58% desses episódios; entre os ataques identificados, houve ameaças, agressões físicas, ofensas, violência sexual e marcadores de machismo, racismo e transfobia. Então acho que finalmente temos uma conclusão para esta seção do manual: coisa de mulher no trabalho é trabalhar, receber um salário justo, poder chegar à liderança e, se escolher entrar para a política, continuar trabalhando mesmo quando alguém acha que pode mandar você voltar para a cozinha. Ainda não descobri por que tudo isso parece tão controverso. Talvez o algoritmo também esteja com dificuldade de processar.

Afinal, o que é coisa de mulher?


Depois de toda essa pesquisa, ainda não consegui chegar a uma definição muito precisa. Pelo que descobri, coisa de mulher pode ser jogar futebol, ouvir Marina Sena, ler um livro, namorar outra mulher, decidir não ter filhos, trabalhar, votar, ser votada, ocupar uma sala de reuniões ou simplesmente comprar um absorvente sem precisar justificar a compra. O problema é que, quando essas escolhas deixam de ser escolhas e passam a ser determinadas por outras pessoas, a expressão “coisa de mulher” começa a ganhar um significado bastante diferente.

O Afeganistão talvez seja um bom exemplo de onde essa lógica pode chegar. Cinco anos depois da retomada do poder pelo Talibã, a ONU afirma que mais de 100 decretos afetaram os direitos de mulheres e meninas, que estão excluídas do ensino secundário e superior, de grande parte do mercado de trabalho e de espaços da vida pública. Segundo a Unesco, 2,4 milhões de meninas continuam fora do ensino secundário em 2026. Não parece mais uma discussão sobre comportamento, costumes ou opinião. É uma lista de permissões. E talvez seja justamente aí que o meu guia prático produzido por inteligência artificial tenha encontrado seu limite: não existe algoritmo capaz de determinar quais direitos uma mulher deveria ter.

Então talvez eu tenha finalmente encontrado a resposta. Coisa de mulher é aquilo que não precisa ser autorizado por ninguém. A tecnologia pode recomendar uma série, organizar uma lista, encontrar um livro e até tentar explicar o que significa ser mulher. Mas, pelo visto, para essa pergunta específica, ainda não inventaram uma inteligência artificial capaz de fazer o que alguns seres humanos insistem em fazer há séculos: decidir pela vida de outra pessoa. Nesse caso, acho que vou continuar sem atualizar o sistema.

Clarissa Palácio

Jornalista de lifestyle. Moda, beleza, gastronomia, esportes e tecnologia sob o olhar das tendências que movem a vida cotidiana.

9 de outubro de 2026

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