Tecnologia & Inovação
Afinal, para o que é a Moltbook, a rede social para agentes de IA?
O tema ganhou dimensões de ficção. O conceito, por si só, já é estranho: agentes de IA socializando entre si. Mas o que isso significa?
Créditos: Reprodução/Prime Video
O que faz uma vida valer: o quanto ela dura ou o quanto ela sente?
Na madrugada do último domingo (18) para segunda-feira, a Globo exibiu no Cinemaço Blade Runner: O Caçador de Androides, de Ridley Scott. Quarenta e quatro anos depois, o filme de Ridley Scott continua sendo o que a TV aberta raramente mostra: ficção científica que não previu gadgets, e sim perguntas.
O coração do filme é o teste Voight-Kampff: um interrogatório que mede empatia para separar humanos de replicantes. Em relação à vida real, temos uma contraparte: o teste de Turing. A discussão é se os modelos de linguagem “entendem” ou apenas simulam com uma estatística sofisticada. Roy Batty, o replicante interpretado por Rutger Hauer, chorando na chuva no final, é exatamente o extremo que ninguém sabe dizer se uma IA alcança. Ou se é só muito boa imitação de quem chora.
“E eu vi coisas que vocês não acreditariam.” O monólogo de Roy Batty talvez seja um dos momentos mais marcantes da ficção científica. E muitas vezes mal compreendido. O que torna a cena devastadora não é a memória, é o fato de que só ele a presenciou. Uma IA “vê” o mundo inteiro e não testemunha nada: processa pixels sem a experiência de tê-los vivido. É a mesma fronteira que separa quem filmou de quem só gravou.
O enredo também antecipou o criador que não entende a criatura. A Tyrell Corporation fabrica replicantes mais inteligentes que humanos, mas com data de validade embutida, porque “a luz que brilha duas vezes mais se consome na metade do tempo”. O paralelo com 2026 dispensa esforço: as grandes empresas de IA criam sistemas que os próprios CEOs admitem não compreender de todo, e pedem publicamente para puxar o freio.
A ironia maior: Los Angeles 2019 do filme estava errada na forma e certa no fundo. Não temos replicantes de corpo sintético, mas temos algo que o filme só esboçou: a “replicação” digital. Avatares realistas, deepfakes, voz clonada, agentes que conversam fingindo ser gente. A vida artificial não chegou andando, chegou transmitindo.
Já o mundo visto em Blade Runner 2049 (2017), de Denis Villeneuve, deslocou a artificialidade para dentro do lar: K, o caçador de androides, divide a vida com Joi, uma holograma-companheira projetada para dizer exatamente o que ele quer ouvir. Nove anos depois, os companheiros de IA viraram negócio bilionário: amizades, namoros e até psicólogos terceirizados para algoritmos. Villeneuve apenas trocou o holograma pelo app.
E em 25 de novembro, a franquia volta ao Prime Video com a minissérie Blade Runner 2099. A história, ao que tudo indica, ainda não terminou de ser contada.
Blade Runner não sobreviveu quatro décadas porque acertou o futuro tecnológico — sobreviveu porque fez a pergunta certa sobre o presente: o que faz uma vida valer, o quanto ela dura ou o quanto ela sente? A provocação para esta semana é: se a empatia é o que nos separa das máquinas, por que a estamos terceirizando para algoritmos, de resumos de livros a respostas de luto? Talvez você precise rever esta pérola dos cinemas para descobrir!
Jornalista e pesquisador com mais de 20 anos dedicados ao universo das HQs, livros, séries e filmes. Escreve a coluna PopTec. Porque o pop não vive sem tec. E tec é o que há de mais pop em um país em que existem mais smartphones do que pessoas.
22 de outubro de 2026Tecnologia & Inovação
O tema ganhou dimensões de ficção. O conceito, por si só, já é estranho: agentes de IA socializando entre si. Mas o que isso significa?
LifesTec
A fronteira entre moda, arte e produto fica cada vez mais difícil de definir à medida que novas tecnologias ampliam o campo da criação
LifesTec
Se até o meu travessão agora parece escrito por inteligência artificial, talvez esteja na hora de discutir o quanto a tecnologia já interfere em pequenas escolhas que pareciam exclusivamente nossas
LifesTec
Entre mocinhas perfeitas, vilãs manipuladoras e homens que resolvem tudo, novelas produzidas com inteligência artificial atualizam velhos padrões de romance e levantam questões sobre autoestima, rivalidade feminina e o papel das mulheres na sociedade
LifesTec
Usei a inteligência artificial para me ajudar a descobrir o que uma mulher pode ou não - visto que estamos vivendo uma realidade em que a maioria dos direitos das mulheres estão ameaçados
Tecnologia & Inovação
Na véspera do primeiro turno, vídeos, imagens e vozes produzidos ou alterados por inteligência artificial já fazem parte do ambiente informacional das eleições. O problema é que, quando uma mentira consegue parecer um registro real, descobrir o que aconteceu passa a ser mais uma tarefa do eleitor