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Entre a vitrine e o museu, a moda busca seu lugar nas artes
A fronteira entre moda, arte e produto fica cada vez mais difícil de definir à medida que novas tecnologias ampliam o campo da criação
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O WhatsApp deve continuar relevante enquanto mantiver sua dimensão social, que ainda diferencia o aplicativo de assistentes de IA voltados principalmente ao trabalho
O prazo de uma entrega foi combinado em um grupo de WhatsApp há três semanas. O endereço de uma reunião está em uma conversa com um cliente, enquanto os detalhes de uma negociação foram enviados por áudio. Quando chega a hora de recuperar essas informações, o profissional precisa percorrer mensagens antigas, testar palavras na ferramenta de busca e, às vezes, ouvir gravações novamente. O problema não é necessariamente a ausência de registros, mas a dificuldade de encontrar o que importa em meio ao volume de conteúdo acumulado. É nesse cenário que a inteligência artificial começa a ser explorada como uma ferramenta para organizar informações dispersas em aplicativos de mensagens.
O WhatsApp deixou de ser apenas um canal de comunicação pessoal e passou a integrar a rotina profissional de trabalhadores autônomos, prestadores de serviços e equipes corporativas. Em muitos casos, conversas que começam com uma dúvida rápida acabam concentrando decisões, negociações, compromissos e informações que também deveriam estar registradas em sistemas empresariais. A praticidade do aplicativo facilita a comunicação, mas pode dificultar a organização posterior dos dados. Mensagens pessoais e profissionais ainda dividem o mesmo ambiente, enquanto notificações disputam a atenção ao longo do dia. Com isso, recuperar um acordo antigo pode se tornar uma tarefa tão trabalhosa quanto acompanhar uma nova demanda.
A inteligência artificial surge como uma possibilidade para reduzir esse esforço, interpretando perguntas feitas em linguagem natural, recuperando informações de conversas e identificando possíveis pendências. Em vez de depender de uma palavra exata, o usuário poderia perguntar qual prazo foi combinado com determinado cliente ou quais tarefas continuam sem resposta. A proposta também acompanha uma transformação mais ampla no mercado de tecnologia, que começa a explorar sistemas capazes não apenas de responder a perguntas, mas de executar etapas de um trabalho. O desafio é fazer isso sem comprometer a privacidade nem transformar respostas probabilísticas em registros incontestáveis. Para entender o que já é possível e quais cuidados são necessários, é preciso olhar tanto para as capacidades técnicas dessas ferramentas quanto para seus limites.
A popularização do WhatsApp ajuda a explicar por que o aplicativo passou a concentrar informações profissionais. Na pesquisa WhatsApp no Brasil, publicada pelo Opinion Box em 5 de outubro de 2026, 97% dos entrevistados disseram acessar o aplicativo pelo menos uma vez por dia. O levantamento ouviu mil brasileiros com mais de 18 anos que possuem smartphone e utilizam o WhatsApp, com entrevistas realizadas em julho de 2026 e margem de erro de três pontos percentuais. O estudo também identificou uma mudança no formato das conversas: os áudios foram apontados como o recurso mais utilizado, por 80% dos participantes, enquanto as mensagens de texto apareceram com 57%. Os resultados ajudam a dimensionar o volume e a diversidade de conteúdo que podem compor o histórico de um usuário. Fonte: Opinion Box, pesquisa WhatsApp no Brasil, edição de 2026.
A presença do aplicativo no trabalho também aparece em um levantamento divulgado em abril de 2026 pelo portal Tecflow, com dados de uma pesquisa da Zenvia em parceria com o Opinion Box. Segundo a publicação, metade dos profissionais entrevistados realiza demandas de trabalho fora do expediente por meio do WhatsApp pessoal. O levantamento aponta ainda que 36% têm dificuldade para separar a vida profissional da pessoal, percentual que chega a 47% entre os participantes de 18 a 24 anos. Embora esses números não indiquem que todas as conversas contenham informações relevantes para a empresa, mostram como atividades profissionais podem se misturar à comunicação cotidiana. Na prática, parte dos registros de trabalho fica distribuída por um canal que nem sempre está integrado aos sistemas corporativos. Fonte: Tecflow, reportagem de 9 de abril de 2026 sobre pesquisa da Zenvia com o Opinion Box.
Para Thiago Arnese, fundador e CEO da Plati AI, essa transformação ocorreu porque as pessoas passaram a levar para o aplicativo conversas que antes aconteciam informalmente nos ambientes de trabalho. “Por ser a ferramenta onde as pessoas estão 24/7, rapidamente se confundiu o ‘modo trabalho’ e o ‘modo casa’”, afirma. Segundo ele, os alinhamentos se tornaram mais rápidos e os profissionais passaram a querer resolver tarefas diretamente pelo WhatsApp. Esse movimento, na avaliação do executivo, avançou mais rapidamente do que a adoção de sistemas estruturados, como plataformas de gestão empresarial (ERP) e de relacionamento com clientes (CRM). O resultado é uma rotina em que decisões importantes podem ficar registradas em conversas, sem necessariamente chegar aos sistemas destinados a organizá-las.
O problema se torna evidente quando alguém tenta recuperar um compromisso antigo. “A busca tradicional, o ‘Ctrl+F’ ou a lupa do aplicativo, depende de correspondência exata de caracteres e ignora totalmente os áudios e imagens, que compõem grande parte do diálogo corporativo no Brasil”, diz Arnese. Ele usa como exemplo uma negociação em que o cliente não escreve a palavra “proposta”, mas responde a um áudio com a frase “fechado, pode rodar o projeto”. Uma pesquisa baseada apenas no termo esperado pode não localizar o registro, mesmo que ele contenha a informação procurada. “Além disso, a busca por palavra-chave é cega para a cronologia e o contexto, muitas vezes nem a gente sabe exatamente o que está procurando”, completa.
A diferença entre uma busca convencional e uma pesquisa apoiada por IA está na capacidade de interpretar o sentido de uma pergunta. Em vez de exigir que o usuário se lembre da expressão exata utilizada semanas antes, um sistema pode procurar mensagens relacionadas à intenção do pedido. “Se você pergunta ‘qual foi o prazo prometido?’, a IA recupera mensagens como ‘te entrego na sexta cedo’, mesmo sem a presença do termo ‘prazo’”, explica Arnese. Esse tipo de recurso pode ser útil em conversas com linguagem informal, abreviações, erros de digitação e informações distribuídas entre diferentes mensagens. A tecnologia também pode processar transcrições de áudio e outros conteúdos, desde que a ferramenta tenha acesso a esses materiais e seja capaz de interpretá-los.
Segundo o executivo, esse processo envolve transformar textos, imagens e transcrições em representações que permitam relacionar significados e informações. O sistema pode, por exemplo, identificar quem fez uma promessa, qual era o assunto da conversa e se houve uma confirmação posterior que alterou o acordo inicial. A partir da pergunta do usuário, a ferramenta tenta reconstruir a sequência dos acontecimentos e selecionar os registros mais relevantes para formular uma resposta. A diferença em relação à busca por palavras-chave é que o sistema não precisa encontrar uma correspondência literal entre a pergunta e a mensagem original. A qualidade do resultado, entretanto, depende dos dados disponíveis, das capacidades do modelo e da maneira como o histórico é processado.
A IA também pode ajudar a identificar compromissos que não foram registrados formalmente como tarefas. “Modelos avançados analisam atos de fala e marcadores pragmáticos de compromisso”, afirma Arnese. Ele diferencia frases hipotéticas, como “se der certo” e “talvez”, de declarações que indicam responsabilidade e prazo, como “mando na segunda” ou “deixa comigo”. A partir dessas pistas, um sistema pode classificar mensagens e apontar possíveis entregas, cobranças ou acompanhamentos pendentes. Isso não significa, porém, que a tecnologia consiga distinguir todas as situações com precisão, sobretudo quando os interlocutores deixam acordos implícitos ou mudam de ideia ao longo da conversa.
O uso profissional dessas ferramentas não se restringe à recuperação de mensagens. Em uma conversa com um cliente, por exemplo, a IA pode ajudar a localizar um prazo, reunir os pontos discutidos e preparar um resumo para orientar o próximo contato. Em uma equipe de atendimento, a mesma lógica pode ser aplicada à identificação de solicitações sem resposta e à consulta de informações anteriores. Arnese afirma que, além de recuperar compromissos, a tecnologia pode ajudar a identificar oportunidades comerciais e analisar indicadores operacionais, como a relação entre o tempo de resposta e a conversão de uma venda. Esses usos dependem de integrações e recursos específicos, e não devem ser confundidos com funcionalidades disponíveis automaticamente em qualquer aplicativo de mensagens.

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Legenda: Thiago Arnese, fundador e CEO da Plati Lite
A busca por assistentes que organizem informações e executem tarefas faz parte de uma mudança mais ampla no mercado de inteligência artificial. Em seu Work Trend Index de 2026, publicado em 5 de maio, a Microsoft analisou sinais de produtividade do Microsoft 365 e ouviu 20 mil trabalhadores que utilizam IA em dez países, incluindo o Brasil. Entre os participantes que usam essas ferramentas, 66% disseram que a IA lhes permitiu dedicar mais tempo a atividades de maior valor, enquanto 58% afirmaram produzir trabalhos que não conseguiam realizar um ano antes. O levantamento também indica que o controle de qualidade das respostas geradas e o pensamento crítico continuam entre as habilidades humanas consideradas importantes pelos entrevistados. Os resultados mostram percepções de trabalhadores que já utilizam IA, e não uma medida universal de produtividade para todas as profissões.
Uma das mudanças em curso é a transição de sistemas que respondem a comandos para agentes capazes de executar etapas de processos. Em junho de 2026, a Meta anunciou o Meta Business Agent, ferramenta voltada a empresas que pode responder a perguntas sobre o negócio, recomendar produtos, agendar compromissos e encaminhar atendimentos a funcionários. A empresa também apresentou uma plataforma para desenvolver agentes conectados a sistemas empresariais, com recursos de integração e controles para definir como eles podem agir. Segundo a Meta, mais de um milhão de empresas já utilizavam um Meta Business Agent no WhatsApp e no Messenger no momento do anúncio. A iniciativa se concentra principalmente na interação entre empresas e clientes, mas ilustra como os aplicativos de mensagens estão sendo incorporados a estratégias de automação.
No ambiente profissional, a integração entre mensageiros, e-mails, planilhas e sistemas de gestão pode reduzir a necessidade de procurar informações manualmente em diferentes plataformas. Um agente conectado a essas ferramentas pode, conforme as permissões concedidas, localizar um registro, preparar um documento ou iniciar uma etapa de um processo. A proposta deixa de ser apenas responder a uma pergunta e passa a envolver a execução de uma sequência de atividades com base em um objetivo. “A mudança está em deixar de apenas responder a uma solicitação para também agir a partir de um objetivo, considerando o contexto disponível e as instruções recebidas”, afirma Arnese. Ele diz que a Plati já desenvolve aplicações conversacionais integradas a sistemas empresariais para executar tarefas específicas, mas os exemplos e resultados apresentados pela empresa não equivalem a uma avaliação independente do mercado como um todo.
O executivo afirma que esse modelo já pode ser aplicado a processos como emissão de notas fiscais, conciliação de pagamentos, agendamento de transportes e sincronização de contratos entre sistemas. Segundo ele, há casos em que agentes executam essas etapas a partir de mensagens simples, sem intervenção manual em cada fase. A possibilidade de automatizar uma sequência inteira, entretanto, depende da integração com os sistemas envolvidos, da qualidade dos dados e das autorizações disponíveis. “O desafio não é apenas fazer a IA executar tarefas, mas garantir que ela aja com contexto, previsibilidade e governança”, diz Arnese. Na prática, ações que envolvem dinheiro, contratos ou compromissos com clientes exigem controles mais rigorosos do que tarefas de baixo impacto, como resumir uma conversa.
A adoção também levanta uma questão operacional: a tecnologia precisa simplificar o trabalho, e não criar mais uma camada de ferramentas para administrar. Arnese chama de arquitetura “zero interface” a proposta de disponibilizar a IA no próprio ambiente em que as conversas já acontecem. Nesse modelo, o usuário poderia solicitar um resumo ou delegar uma tarefa sem alternar constantemente entre aplicativos. O conceito depende, contudo, da solução utilizada e das integrações que ela oferece, não sendo uma característica universal dos agentes de IA. Para o executivo, a tendência é que os sistemas funcionem cada vez mais como uma camada de conexão entre diferentes plataformas, enquanto os usuários passam a dedicar mais atenção à supervisão dos resultados.
Para recuperar informações de conversas antigas, uma ferramenta precisa ter acesso ao conteúdo relevante, o que torna a privacidade uma parte central da discussão. Um histórico de trabalho pode conter dados pessoais, informações financeiras, detalhes de clientes, documentos e mensagens de terceiros. Por isso, a autorização para conectar um aplicativo não deve ser tratada como uma decisão meramente técnica. É necessário entender quais informações serão acessadas, para quais finalidades serão processadas e quem poderá consultar os resultados. Também é importante verificar se a ferramenta permite limitar permissões, controlar a retenção dos dados e excluir informações quando elas deixam de ser necessárias.
No caso da Plati Lite, a ferramenta de inteligência artificial lançada pela Plati AI, Arnese afirma que a aplicação pode recuperar até seis meses de histórico quando conectada diretamente à Meta, desde que seja utilizada com o WhatsApp Business no ambiente certificado descrito pela empresa. “Os dados de conversas não são utilizados para treinamento de modelo”, afirma. O executivo também menciona criptografia durante a transmissão e o armazenamento, processamento em instâncias privadas e recursos de anonimização e mascaramento de dados sensíveis, como CPFs, dados de cartões e informações médicas. Essas são informações fornecidas pelo representante da empresa e não constituem, por si só, uma auditoria independente da arquitetura de segurança. Antes de adotar uma solução, organizações devem consultar a documentação técnica, os termos de tratamento de dados e as condições efetivas de armazenamento e acesso.
A conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige avaliar a finalidade do tratamento e a base legal aplicável, além de observar os direitos dos titulares e as responsabilidades dos agentes envolvidos. A simples presença de uma informação em uma conversa não significa que ela possa ser reutilizada livremente em qualquer sistema de IA. Arnese defende o uso de contratos de processamento de dados, retenção mínima, descarte programado e registros de auditoria, além de controles para restringir o acesso às informações. “Se não existe base legal para aqueles dados, ele não deveria estar naquele canal”, afirma. A aplicação concreta dessas medidas depende das circunstâncias do tratamento e das obrigações de cada empresa, e não pode ser presumida apenas porque uma ferramenta utiliza criptografia ou se conecta oficialmente a uma plataforma.
Há ainda um aspecto que envolve pessoas que não autorizaram diretamente a integração de uma ferramenta de IA. Conversas profissionais podem incluir mensagens pessoais de colegas, informações fornecidas por clientes e dados de pessoas que não conhecem o funcionamento do sistema. A empresa precisa considerar essas situações ao definir quais conversas podem ser processadas, quais dados são realmente necessários e quem terá acesso às respostas geradas. Arnese afirma que a conexão ao WhatsApp Business ocorre por um fluxo autorizado pelo responsável pela conta, mas essa autorização não elimina automaticamente todas as obrigações relacionadas aos dados de terceiros. Por isso, a avaliação de privacidade deve considerar tanto as permissões técnicas quanto a finalidade do tratamento e as políticas internas de segurança.
A confiabilidade das respostas é outro limite importante. Uma conversa pode conter uma primeira proposta, uma correção posterior e uma confirmação final que altera o que havia sido combinado. Se a ferramenta considerar apenas uma mensagem isolada, pode recuperar um prazo antigo ou atribuir a uma pessoa uma declaração que ela não fez. “A inteligência artificial funciona como uma grande calculadora de probabilidades”, afirma Arnese, ao ressaltar que as respostas analíticas devem servir como orientação, e não como verdades absolutas. Ele recomenda que o profissional confira o contexto e retome as mensagens originais antes de tomar decisões críticas. A possibilidade de consultar a origem de uma resposta e verificar o registro correspondente é, portanto, tão importante quanto a capacidade de encontrar a informação rapidamente.
A evolução dos agentes de IA aponta para sistemas que podem identificar pendências, acompanhar negociações e executar tarefas a partir de instruções e objetivos definidos pelo usuário. Segundo Arnese, aplicações desse tipo já conseguem conectar diferentes etapas de processos empresariais, desde a recuperação de um acordo até a execução de atividades em outros sistemas. A autonomia, porém, varia conforme as ferramentas conectadas, as permissões concedidas e o grau de supervisão previsto. Um agente autorizado a preparar um documento não deve necessariamente ter autorização para assiná-lo, enviá-lo ou assumir um compromisso em nome da empresa. Quanto maior o impacto potencial de uma ação, maior a necessidade de controles, registros e mecanismos de confirmação.
Na avaliação do executivo, a tendência é que a inteligência artificial passe a funcionar como uma camada de conexão entre aplicativos, em vez de depender de uma única interface. “A fronteira atual é a transição da IA conversacional para a IA de execução autônoma”, afirma. Ele prevê que agentes poderão assumir tarefas cada vez mais complexas, incluindo processos que envolvem autenticação e comunicação entre diferentes sistemas. Arnese também avalia que o WhatsApp deve continuar relevante enquanto mantiver sua dimensão social, que ainda diferencia o aplicativo de assistentes de IA voltados principalmente ao trabalho. Essa projeção, contudo, depende da evolução das plataformas, das políticas de integração e da confiança que empresas e usuários estarão dispostos a depositar nesses sistemas.
Jornalista de lifestyle. Moda, beleza, gastronomia, esportes e tecnologia sob o olhar das tendências que movem a vida cotidiana.
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