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Tecnologia & Inovação

Ando quer transformar agentes de IA em colegas de trabalho, não apenas ferramentas

Startup criada por Sara Du desenvolve plataforma de comunicação em que agentes de inteligência artificial têm identidade própria e participam ativamente da rotina das equipes

Por: Redação ToqueTec

Créditos: Freepik

A proposta da Ando parte de uma mudança simples na aparência, mas profunda na estrutura

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  • Sara Du fundou a Ando, startup que desenvolve plataforma de comunicação para equipes formadas por humanos e agentes de IA.
  • A solução elimina os “meat proxies”, intermediários humanos que repassam informações entre a IA e a organização.
  • A plataforma integra agentes de IA diretamente ao Slack, permitindo que coordenem conversas e proponham decisões.
  • O projeto surgiu após Du perceber, em 2025, a demanda recorrente das empresas por uso de IA dentro do Slack.

Quando Sara Du ajudava empresas a criar servidores MCP, em 2025, uma pergunta aparecia com frequência: como usar agentes de inteligência artificial diretamente dentro do Slack? A ideia parecia simples, mas colocava uma série de desafios técnicos. Era preciso fazer mensagens circularem entre pessoas e agentes e, ao mesmo tempo, fornecer às IAs o contexto necessário sem consumir uma quantidade excessiva de tokens.

Ao investigar o problema, Du concluiu que a dificuldade não estava apenas na integração entre diferentes sistemas. Para ela, ferramentas como Slack e Microsoft Teams foram concebidas em uma época em que agentes de IA eram tratados essencialmente como aplicativos. Agora, porém, esses sistemas estão evoluindo para participantes ativos das equipes.

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Foi a partir dessa percepção que Du criou a Ando, startup que desenvolveu uma plataforma de comunicação voltada para equipes formadas por humanos e agentes de IA. A proposta é colocar os agentes no centro das conversas em que o trabalho é coordenado, em vez de depender de pessoas para transportar informações entre diferentes sistemas.

Quando a IA deixa de ser apenas um aplicativo

Um dos problemas identificados por Du é o que ela chama de “meat proxies”, expressão usada para descrever pessoas que acabam funcionando como intermediárias entre agentes de IA e o restante da organização. Na prática, um funcionário pode precisar receber uma informação de um agente, levá-la para outro canal e então repassá-la a uma pessoa ou equipe.

A Ando tenta eliminar parte dessa intermediação ao dar aos agentes identidades e caixas de entrada próprias. A plataforma reúne recursos conhecidos de ferramentas corporativas, como canais, mensagens diretas, conversas em grupo e chamadas ao vivo com transcrição.

A diferença está na forma como os agentes participam dessas interações. Eles podem navegar pelos canais, selecionar as conversas relevantes e entrar em discussões mesmo sem serem mencionados diretamente. Também podem procurar humanos por iniciativa própria quando identificam que determinada situação exige a participação de uma pessoa.

A lógica muda a relação entre funcionário e inteligência artificial. Em vez de o humano precisar descobrir qual agente deve consultar e iniciar uma solicitação, o agente também pode acompanhar o contexto e identificar quando sua participação é necessária.

Agentes também podem coordenar o trabalho

Um exemplo ajuda a ilustrar a proposta. Um agente pode identificar que duas conversas em canais diferentes estão relacionadas ao mesmo problema. Em vez de simplesmente responder a uma das mensagens, ele pode reunir os participantes em uma conversa em grupo, apresentar o contexto compartilhado e até sugerir um caminho para a decisão.

Para Du, esse tipo de comportamento mostra que os agentes podem assumir uma função que vai além da execução de tarefas ou da pesquisa de informações: a coordenação do trabalho.

Essa mudança também altera o papel esperado das ferramentas de comunicação corporativa. Em um ambiente tradicional, os canais servem principalmente para que pessoas compartilhem informações e organizem atividades. Em uma equipe com agentes de IA, eles também podem funcionar como espaços nos quais sistemas autônomos acompanham acontecimentos, conectam informações e acionam os profissionais envolvidos.

US$ 20 milhões para ampliar a operação

A Ando saiu do modo stealth e anunciou US$ 20 milhões (R$ 103,9 milões) em investimentos, levantados entre rodadas pre-seed e seed. Entre os investidores estão Accel, Index Ventures e Emergence.

Segundo a startup, os recursos serão destinados à ampliação da equipe e ao aumento da capacidade de processamento necessária para operar agentes de IA. A empresa já trabalha com companhias dos setores de software, mercado imobiliário e finanças.

Os clientes estão distribuídos por 15 países. Ainda assim, muitas das equipes que utilizam a plataforma são pequenas, cenário que se aproxima da visão defendida por Du para o futuro do trabalho.

Uma disputa por espaço nas empresas

A proposta da Ando chega a um mercado em que empresas já estabelecidas também estão adaptando suas plataformas para a era dos agentes. O Slack transformou seu bot nativo em um agente de IA, enquanto a Microsoft vem integrando o Copilot ao Teams e ao ecossistema do Microsoft 365.

Outra iniciativa é o Buzz, projeto anunciado por Jack Dorsey que também combina pessoas e agentes de IA em uma plataforma de mensagens, com foco maior em desenvolvedores.

A diferença defendida pela Ando está na arquitetura. Enquanto ferramentas tradicionais começaram como sistemas de comunicação entre humanos e posteriormente incorporaram agentes de IA, a startup foi concebida desde o início como uma plataforma AI-agent-native.

A distinção, no entanto, nem sempre foi evidente para os usuários. Nos primeiros testes, algumas pessoas consideravam a Ando apenas uma versão menos refinada de plataformas de mensagens já conhecidas. Segundo Du, muitos não percebiam inicialmente o que havia de diferente na presença dos agentes.

A percepção mudou conforme os clientes passaram mais tempo utilizando a plataforma. A interação contínua com os agentes passou a revelar funcionalidades que não aparecem necessariamente em uma primeira experiência com o serviço.

Equipes menores, agentes em mais funções

Para Du, a transformação pode ir além da substituição de ferramentas como Slack ou Teams. A expectativa é que agentes assumam uma parcela cada vez maior das tarefas de execução, pesquisa e coordenação dentro das empresas.

Nesse cenário, equipes muito pequenas poderiam operar em uma escala que anteriormente exigiria centenas de funcionários. A inteligência artificial não seria apenas uma ferramenta acionada individualmente, mas uma camada permanente da estrutura de trabalho.

A divisão de funções também poderia mudar. Enquanto agentes cuidariam de uma parcela maior das atividades operacionais e da circulação de informações, os humanos concentrariam mais esforços em julgamento, estratégia e tomada de decisões.

A proposta da Ando, portanto, parte de uma mudança simples na aparência, mas profunda na estrutura: se agentes de IA passam a fazer parte das equipes, as plataformas de comunicação precisam deixar de tratá-los apenas como aplicativos e começar a reconhecê-los como participantes do trabalho.

Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec

Redação ToqueTec

Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec

25 de setembro de 2026

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