A expansão da linha de robôs da Candide acontece em um momento de mudanças na própria definição de brinquedo tecnológico
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Candide lançou nova linha de robôs interativos para o Dia das Crianças, com preços a partir de R$ 129,99.
Os brinquedos foram desenvolvidos para combinar tecnologia e interação sem uso de telas, internet ou IA.
O lançamento segue sucesso de dois modelos semelhantes lançados no ano anterior.
A iniciativa acompanha debate internacional sobre o futuro dos brinquedos tecnológicos.
Durante muito tempo, tecnologia em brinquedos era quase sinônimo de pilhas, luzes, sons e controles remotos. Hoje, a relação entre inovação e brincadeira ganhou novas camadas, com produtos capazes de reconhecer comandos de voz, adaptar experiências e, em alguns casos, utilizar inteligência artificial. A transformação acontece ao mesmo tempo em que famílias convivem com uma presença cada vez maior das telas na rotina infantil. Nesse cenário, a indústria de brinquedos começa a explorar uma questão curiosa: como incorporar tecnologia à brincadeira sem necessariamente transformar a criança em espectadora de uma tela?
Os robôs interativos são um dos exemplos mais visíveis dessa mudança. Eles podem responder a comandos, executar movimentos e transformar a ação da criança em parte essencial da experiência, sem depender necessariamente de internet ou inteligência artificial. A categoria também mostra que chamar um brinquedo de “tecnológico” não significa, obrigatoriamente, que ele tenha os recursos mais avançados disponíveis no mercado. Há diferentes níveis de tecnologia envolvidos, e cada um deles cria uma forma distinta de interação.
É nesse espaço que a Candide está ampliando seu portfólio de robôs interativos para o Dia das Crianças. A empresa já trabalha com brinquedos tecnológicos de diferentes categorias e agora aposta em modelos que colocam o movimento e o controle nas mãos da criança. Os produtos da nova linha partem de R$ 129,99 e, segundo a companhia, foram pensados para unir tecnologia e interação sem depender de telas, internet ou inteligência artificial. Mais do que apresentar um lançamento, o movimento acompanha uma discussão que ganhou força na indústria internacional sobre como será o brinquedo tecnológico dos próximos anos.
Ampliação de linha para o Dia das Crianças
A nova linha é resultado de um movimento que a Candide já vinha testando antes do lançamento. Segundo Bruno Verea, diretor de Marketing da empresa, a companhia já trabalha com diferentes tipos de brinquedos tecnológicos, incluindo laptops e câmeras digitais. O executivo afirma que o interesse por esses produtos também está relacionado à crescente exposição das crianças às telas. Nesse contexto, ampliar a presença de robôs no catálogo representa uma forma de levar a tecnologia para uma experiência que acontece fora do celular, tablet ou computador. A criança interage diretamente com o brinquedo e participa da construção da brincadeira.
A aposta nos robôs, porém, não surgiu de forma repentina. Verea conta que a empresa já vinha “namorando essa ideia” havia algum tempo e que, no ano anterior, havia lançado dois brinquedos com a mesma proposta visual. Segundo ele, os produtos tiveram “um grande sucesso”, o que contribuiu para a ampliação da categoria. A nova linha chega, portanto, depois de uma experiência anterior da empresa com esse tipo de produto. O lançamento para o Dia das Crianças amplia uma categoria que já havia sido testada pela marca.
Os novos robôs utilizam o controle remoto como principal forma de interação. Em vez de depender de uma aplicação ou de uma conexão externa, a criança pode comandar diretamente os movimentos do brinquedo. Esse tipo de funcionamento permite que a tecnologia esteja presente sem necessariamente alterar a lógica básica da brincadeira. O comando produz uma resposta física que pode ser percebida imediatamente. Assim, o recurso tecnológico fica incorporado ao próprio objeto, e não a uma interface separada.
A estratégia também se conecta à ampliação do portfólio tecnológico da companhia. A Candide afirma que trabalha com produtos desenvolvidos para combinar entretenimento e inovação, e os robôs representam uma das formas de explorar essa relação. Nesse caso, a tecnologia não aparece como uma camada adicional de conteúdo digital, mas como parte do funcionamento do brinquedo. O resultado é uma experiência na qual movimento, controle e resposta estão diretamente relacionados. É uma abordagem diferente daquela dos brinquedos que utilizam a tecnologia principalmente para oferecer conteúdo em uma tela.
Robôs colocam a criança no comando da tecnologia
Um dos pontos que diferenciam os novos robôs é justamente a ausência de recursos que hoje costumam ser associados imediatamente à tecnologia. Os produtos não dependem de inteligência artificial, internet ou telas para proporcionar uma experiência interativa. Isso significa que a criança não precisa acessar uma plataforma digital para começar a brincar. O controle remoto funciona como uma interface física entre o usuário e o brinquedo. Cada comando gera uma resposta concreta, tornando visível a relação entre ação e funcionamento.
A escolha é relevante porque o mercado de brinquedos tecnológicos está ampliando a definição do que significa interatividade. Um produto pode simplesmente responder a comandos determinados pelo usuário ou utilizar sistemas capazes de interpretar aquilo que recebe e produzir respostas diferentes. Entre esses extremos estão tecnologias como sensores, reconhecimento de voz e conectividade. Os robôs da Candide se encontram em uma camada mais simples dessa evolução, mas continuam utilizando recursos tecnológicos para criar uma experiência que não existiria da mesma maneira em um brinquedo convencional. A diferença está menos na quantidade de tecnologia e mais na forma como ela é utilizada.
Para Verea, a tecnologia não está restrita ao que o consumidor consegue perceber no funcionamento do produto. “A tecnologia não está apenas dentro do brinquedo, mas em todo o processo que o constrói”, afirma o diretor de Marketing da Candide. A declaração chama atenção para uma característica pouco visível dos brinquedos tecnológicos: a inovação pode estar tanto no recurso que chega às mãos da criança quanto nos processos utilizados para desenvolver e fabricar o produto. Nesse sentido, um brinquedo não precisa ter inteligência artificial para ser considerado tecnológico. A própria forma como ele é projetado e construído faz parte dessa cadeia.
A relação entre tecnologia e brincadeira também muda quando a criança deixa de ser apenas usuária de um conteúdo e passa a controlar o comportamento do objeto. No caso dos robôs, o resultado depende das ações de quem está brincando. O controle remoto permite experimentar movimentos diferentes e descobrir as respostas do brinquedo aos comandos. A experiência acontece de maneira física e imediata, sem a necessidade de interpretar uma interface digital. É justamente essa característica que permite aproximar tecnologia e brincadeira tradicional.
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Por que a IA ainda não chegou aos novos robôs
A ausência de inteligência artificial nos novos robôs também merece atenção porque acontece em um momento no qual a tecnologia ganhou espaço em praticamente todos os segmentos de consumo. No mercado infantil, porém, a adoção de IA envolve questões específicas relacionadas à idade e à exposição das crianças. Verea considera que colocar IA embarcada em brinquedos é uma decisão delicada, especialmente quando o sistema utiliza interação por voz. Para ele, uma tecnologia desse tipo pode chegar a crianças que ainda nem começaram a escrever.
A discussão acompanha uma transformação mais ampla do setor. A Spielwarenmesse, uma das principais feiras internacionais de brinquedos, colocou a inteligência artificial entre os ToyTrends de 2026, destacando produtos capazes de conversar, responder perguntas, contar histórias e adaptar experiências. A tendência mostra que a IA já é tratada pela indústria como uma possibilidade concreta para a próxima geração de brinquedos. Ao mesmo tempo, a presença da tecnologia não significa necessariamente que esses produtos precisem de uma tela. A própria feira destaca experiências de IA que funcionam por meio de objetos físicos e interações sem display.
Essa diferença ajuda a entender por que a nova linha da Candide não precisa competir diretamente com brinquedos que utilizam IA. São propostas diferentes de interação tecnológica. Enquanto sistemas de inteligência artificial podem interpretar informações e gerar respostas, um robô controlado remotamente trabalha com comandos definidos pelo usuário. A criança sabe qual ação está acionando e consegue observar sua consequência diretamente no brinquedo. O mecanismo é mais simples, mas também torna a relação entre comando e resposta mais evidente.
O futuro, entretanto, pode combinar essas duas abordagens. Quando questionado sobre o que uma criança poderá considerar um brinquedo tecnológico daqui a cinco anos, Verea reconhece que a inteligência artificial provavelmente estará embarcada nesses produtos. Ao mesmo tempo, ele prevê uma possível aproximação com experiências analógicas. “Acredito que terá IA embarcada, mas também vejo um lugar em que a tecnologia passará a emular o analógico”, afirma. A previsão mostra que a evolução dos brinquedos não precisa seguir apenas o caminho de maior conectividade.
Mercado testa até onde a tecnologia pode entrar na brincadeira
A aposta em brinquedos que combinam inovação e interação física acontece em paralelo a uma busca por experiências que não coloquem as telas no centro. A The Toy Association identificou, entre as tendências de 2026, movimentos relacionados tanto à incorporação de novas tecnologias quanto à valorização de brincadeiras com pouca ou nenhuma tecnologia. A coexistência dessas duas direções mostra que o mercado não está necessariamente escolhendo entre o analógico e o digital. Em vez disso, fabricantes testam diferentes níveis de tecnologia para entender como eles podem alterar a experiência de brincar.
A inteligência artificial é um dos exemplos mais claros dessa transformação. A Spielwarenmesse aponta para robôs adaptativos, personagens capazes de conversar e sistemas que personalizam a experiência como parte da nova geração de brinquedos. A tecnologia pode fazer com que um mesmo produto tenha comportamentos diferentes dependendo da interação com a criança. Esse modelo amplia o conceito de brinquedo eletrônico, que deixa de apenas executar comandos pré-programados e passa a responder de maneira mais complexa. Ainda assim, a tendência não elimina experiências mais simples de interação física.
O preço também entra nessa equação. De acordo com Verea, existe uma relação entre a quantidade de tecnologia incorporada a um brinquedo e seu valor final. “Quanto maior a tecnologia, mais caro o preço será”, afirma o executivo. Ao mesmo tempo, ele avalia que a ausência completa de tecnologia também elimina parte do diferencial que movimenta o mercado atualmente. A questão, portanto, passa a ser encontrar o nível de inovação adequado à proposta e ao público de cada produto.
O brinquedo tecnológico do futuro pode voltar ao analógico
A expansão da linha de robôs da Candide acontece, portanto, em um momento de mudanças na própria definição de brinquedo tecnológico. O produto deixou de ser apenas um objeto com pilhas, luzes ou sons e pode agora incorporar sensores, conectividade e inteligência artificial. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por experiências que permitam brincar sem depender de uma tela. Nesse cenário, tecnologia e simplicidade passam a coexistir dentro da mesma indústria. O lançamento da Candide ocupa justamente esse ponto de encontro.
A trajetória da empresa também mostra como essa evolução pode acontecer de forma gradual. Primeiro, vieram produtos eletrônicos com funções específicas, como os brinquedos controlados remotamente. Depois, a indústria passou a explorar conectividade, reconhecimento de voz e inteligência artificial. Agora, diferentes modelos convivem no mercado, oferecendo graus distintos de interação tecnológica. Para a criança, isso significa que “brinquedo tecnológico” pode representar experiências bastante diferentes. Para os fabricantes, significa encontrar novas maneiras de incorporar inovação sem necessariamente repetir a lógica das telas.
Verea acredita que esse cenário deve mudar ainda mais nos próximos anos. A presença de inteligência artificial nos brinquedos é, para ele, uma possibilidade concreta, mas não representa o único caminho para a inovação. A ideia de uma tecnologia que emula o analógico aponta para produtos capazes de usar recursos sofisticados para reproduzir experiências mais familiares. É uma previsão que coloca o futuro do setor em uma direção menos óbvia do que a simples digitalização da brincadeira. Em vez de transformar todo brinquedo em uma espécie de dispositivo conectado, a tecnologia pode ser usada para aproximá-lo novamente de experiências físicas.